30 dezembro, 2013

E não se pode pedir responsabilidades?

Hoje no Público, um artigo de opinião, importante, a meu ver!

1993 é mais do que um ano, é o começo de um período de disparates

"Para regressar a 1993, temos de o fazer dentro de uma década para que a viagem faça sentido. Chegamos desde logo a um período em que vivíamos uma euforia alimentada pela entrada de Portugal na que é hoje a União Europeia. O ano de 1993 estende-se pelo resto da década por ter sido o começo de um período de disparates.
A situação política estava estabilizada, Cavaco Silva liderava o seu segundo Governo, tinha-se retomado um certo crescimento económico, mas sobretudo tinha-se criado a ideia, com os dinheiros da CEE, de que isto agora era um maná. A construção civil crescera muito, as pessoas queriam ter a sua casa, o que era normal. Hoje é reconhecido por todos que houve nessa altura demasiada facilidade na aquisição de casa própria, mas não é a isso que me refiro quando digo que começaram os disparates.
Os disparates começaram porque não aproveitámos esse período de adesão europeia, com um governo estável, para responder ao desafio de estarmos integrados num grupo de países com um desenvolvimento muitíssimo maior do que o nosso. Não encarámos isso como um desafio a que era preciso responder com determinação, mas como se nos tivesse saído a sorte grande e tudo fosse fácil – um pouco à portuguesa. E então começam os exemplos dos disparates.
Quando, na sequência do Tratado de Maastricht (1992) surgiram os problemas para respeitar o défice orçamental, matéria de que agora tanto se fala, arranjou-se a solução enganosa de atirar para o futuro. E os anos assim foram passando, em euforia.
O país tinha então empresas na órbita do Estado com os seus próprios fundos de pensões (PT, CTT). Entrámos na década de 2000 e na altura a ministra das Finanças, Manuela Ferreira Leite, chamou para o Estado o fundo de pensões da PT, para resolver um problema de défice orçamental.
A transferência do fundo de pensões entrou como receita do Estado esse ano para ficarmos abaixo do célebre limite dos 3%. Estávamos em 2003. O Governo integrou o fundo de pensões da PT na Caixa Geral de Aposentações (CGA), Portugal ficou abaixo do tecto do tratado, continuámos a ser chamados bons alunos e começou a atirar-se para o futuro da CGA os encargos correspondentes que agora se estão a ver.
Seguiram-se outros governos e outros fundos de pensões, nomeadamente dos CTT e dos bancários. Tudo isso tem pesado muitíssimo no desregulamento da capacidade do Estado de assegurar o pagamento de todas essas pensões, pelas quais ficou responsável, em contrapartida da entrada dos fundos como receita pública.
É também deste período um grande aumento no número de funcionários públicos e a introdução do regime de promoções automáticas pelo qual um funcionário público era automaticamente promovido ao fim de um certo tempo, independentemente de outras considerações. Era apenas uma questão de tempo.
É com a ideia generalizada nesta década de que havia sempre dinheiro que começa uma série de obras de utilidade discutível e em regime de pagamentos diferidos, tudo isso atirando custos para o futuro. Agora estamos nesse futuro, com dificuldade em pagar os encargos.
Não se aproveitou a estabilidade política existente para tirar partido das vantagens competitivas que Portugal, apesar de tudo, oferecia – e que nesse tempo ainda eram mais significativas – para forçar um maior investimento estrangeiro, sobretudo na área dos bens transaccionáveis. Pelo contrário, insistiu-se nos serviços, nomeadamente imobiliário, e diminuiu a indústria, em vez de aumentar.
Não se usou o que poderia ter sido um trunfo enorme para o desenvolvimento do país e havia todas as condições para o fazer. Sentimos hoje os efeitos de nos termos tornado um país de serviços. O turismo tem todas as vantagens, mas não chega, como verificamos. Em contrapartida, o que se desenvolveu foi o imobiliário com as consequências conhecidas de aumento anormal do valor das casas, para além do seu valor real, especulação na construção, na promoção imobiliária e o rosário que se seguiu.
Conjugou-se a euforia dos "dinheiros de Bruxelas" e a acção deficiente de um governo estável na altura que não tirou partido dessa estabilidade para forçar um desenvolvimento e entusiasmar os portugueses a saberem responder ao desafio que a CEE significava. Vingou a ideia de que era uma benesse e que nos tinha saído a sorte grande. Não era nada disso. Era o início dos disparates, que infelizmente continuaram.
Manuela Ferreira Leite foi a primeira, mas houve vários governos, inclusive do PS, que fizeram o mesmo. Hoje fala-se muito nas PPP, mas não se fala no efeito das transferências dos fundos de pensões: as dificuldades financeiras da CGA também têm a ver com esses buracos sucessivamente tapados transferindo para o Estado o encaixe e a responsabilidade de pagar aos reformados da banca, dos CTT e outros como se fossem funcionários públicos.
Todas essas manobras tiveram o mesmo efeito que foi atirar para o futuro, à conta da CGA, o pagamento de pensões de reforma de pessoas que não tinham nada a ver com a função pública. Agora estamos a pagar e bem estes disparates."
A partir de depoimento verbal
José Torres Campos foi secretário de Estado da Indústria e Energia nos três primeiros governos provisórios, foi gestor da Cimpor, da Liscont, do IPE e da Parque Expo , entre outros. Em 1993 trabalhava no sector privado.

 

05 dezembro, 2013

01 dezembro, 2013

10 novembro, 2013

Dar a volta!


Nos dias que correm todas as mensagens positivas, bem estruturadas, são importantes. Muito para além dos valores de quem a transmite em primeiro lugar.
Vale a pena ver, partilhar e voltar a ver!


06 novembro, 2013

Intelligence: It's Not Just IQ

Um muito interessante vídeo. Talvez um pouco longo, mas acho que vale a pena o tempo gasto. Há várias mensagens importantes.


26 outubro, 2013

ESMAE - Mais coisas que acontecem na 210


O trabalho árduo, o talento: a Música!



21 outubro, 2013

Curso de Música Antiga da ESMAE


Não sei dizer exactamente o que estão a tocar, mas é um concerto na escola, num post retirado do Facebook, com o título "coisas que acontecem na 210", que é uma sala da escola.

Muito bom!




22 setembro, 2013

Façamos a revolução na educação!

Este vídeo de 2010 continua muitíssimo actual! Eu diria que se alguma coisa ajudou a mudar foi do tamanho de uma gota no oceâno. Em Portugal ainda será menor a mudança! E no entanto percebe-se diariamente que é preciso revolucionar o sistema e não mais reformá-lo!

 E é preciso discutir e debater, mesmo sendo um tema muito difícil e abrangente, diria global. É preciso levar esta disussão para dentro de cada escola e nela dentro de cada grupo de trabalho. E claro dentro dos imensos departamentos do Ministério da Educação, incluindo o Gabinete do Ministro. 

03 setembro, 2013

Incredible-edible-todmorden

Através deste artigo no P3 do Público cheguei a este vídeo fantástico. Acho que não tem legendas em Português, mas percebe-se razoavelmente bem.

A ideia de que pequenas acções são importantes e fazem a diferença;
A ideia de que não é preciso burocracias, grandes planos e estratégias e relatórios;
A ideia de que as pessoas têm a comida como base fundamental de interesse;
Muitas mais ideias...



E acho esta mulher um espanto!
Este o link para o projecto.

21 agosto, 2013

Rimsky-Korsakov: Scheherazade

 

Música poderosa que parece que conheço desde sempre. Para quem não conhece descobrir.

Rimsky-Korsakov: Scheherazade / Gergiev · Vienna Philharmonic 

20 agosto, 2013

Onde está o Legislativo?


Tenho-me feito muitas vezes esta pergunta. E não é sequer uma questão que a maioria das pessoas pense como relevante e necessária discutir, por isso quero partilhar aqui o que este comentador do Público, escreveu hoje

"Escrevi há anos: Aprendia-se na escola - e não sei se ainda se aprende - que a governação dum país assenta em três poderes: o legislativo, o executivo e o judicial. Na Europa e em alguns países de outros continentes está a ser considerada a "necessidade" de o sector do executivo ter maioria absoluta de simpatizantes da sua ideologia no legislativo e alguns até consideram o país "ingovernável" se tal não existir. Outros, porém, consideram tal maioria um mal gravíssimo. Podemos dizer que essa era a opinião de Salazar, talvez por ver o que foi o parlamentarismo durante os 16 anos após a implantação da República.
Nos países dominados pelo partidismo, isto é, em que os partidos não são apenas associações de cidadãos com o mesmo credo político mas sim órgãos de poder mais ou menos poderoso (em Portugal completamente ditatorial), o que vemos é que o lema é "tudo do nosso partido é óptimo e vota-se a favor e tudo o que é dos outros partidos é péssimo e vota-se contra". Portanto, para haver "governabilidade", considera-se que o Parlamento deve ser apenas um carimbo a dizer "Aprovado" a tudo o que o Governo quiser. Isso origina a pergunta: onde está o Legislativo?
Nos EUA, por exemplo, é frequente o Governo ser de um partido e a maioria no Senado ou na Câmara dos Representantes ser de outro. Nesses casos, ninguém diz que o país fica "ingovernável". Se, em alguns casos, o Senado não aprova legislação proposta pelo Governo, em muitos outros aprovam. O país está acima dos partidos. Não tenho números, mas creio que a maioria da legislação é proposta pelos senadores. Em Portugal, se um deputado do partido do Governo propõe legislação é porque o partido mandou. E não existe nos EUA essa figura, que considero aberrante, de o Presidente da República consultar os partidos. Os legítimos representantes do povo no Legislativo, os senadores e os membros da Câmara dos Representantes, são eleitos livremente pelos cidadãos que se candidatam, nos diferentes estados."


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17 agosto, 2013

A Vida Secreta Do Cérebro -- O Cérebro Idoso


Um vídeo com informação importante, a meu ver, nos dias que correm. Claro que há os outros vídeos da mesma série para ver.


05 agosto, 2013

Back from the Dead: Resuscitation Expert Says End Is Reversible


Dependendo de quem morre, este assunto é importante para todos. Já tinha partilhado no Facebook, mas lá desaparece rapidamente. Aconselho a leitura de toda a entrevista .
Na Spiegel Online de 29 de Julho de 2013.



Raising the dead may soon become medical reality. According to critical care physician Sam Parnia, modern resuscitation science will soon allow doctors to reanimate people up to 24 hours after their death.

At some point, everyone's heart will stop. For most, this is when they begin to die. Doctors succeed in very few cases at bringing the clinically dead back to life. However, more patients could be saved if medical professionals put existing knowledge about the treatment of cardiac arrest to better use, argues critical care physician Sam Parnia, 41, who is leading a revival of research in this field at the Stony Brook University School of Medicine in New York. 


When Parnia was a student some 20 years ago, a patient he knew well died under his care. It was a key moment for the young doctor, who has since sought to understand and fight the process of death.

SPIEGEL: Dr. Parnia, in your new book on resuscitation science, "Erasing Death," you state: "We may soon be rescuing people from death's clutches hours, or even longer, after they have actually died." That sounds a lot like resurrection. Is this a serious claim?
Parnia: In the past decade we have seen tremendous progress. With today's medicine, we can bring people back to life up to one, maybe two hours, sometimes even longer, after their heart stopped beating and they have thus died by circulatory failure. In the future, we will likely get better at reversing death. We may have injectable drugs that slow the process of cell death in the brain and other organs. It is possible that in 20 years, we may be able to restore people to life 12 hours or maybe even 24 hours after they have died. You could call that resurrection, if you will. But I still call it resuscitation science.

SPIEGEL: With all due respect, this discipline has a dismal record. Survival rates for out-of-hospital cardiac arrests continue to be poor and have barely improved from what they were 25 years ago.
Parnia: Sadly, that's correct. There is no generally enforced standard of care. In some communities in the United States, survival rates after resuscitation are as low as close to 0 percent. In general, we are better at rescuing people who suffer cardiac arrest in hospitals. But even in this group the average now in the US is 18 percent. The United Kingdom has 16 percent and I assume German hospitals have a similar rate.
SPIEGEL: That's shockingly bad.
Parnia: Here in Stony Brook we had a 21 percent survival rate when I first arrived. Now, two years later, we are at 33 percent. In the first quarter of this year, our latest available data shows that we reached 38 percent, which likely puts us among the top hospitals in the US. Most, but not all of our patients, get discharged with no neurological damage whatsoever.
SPIEGEL: Are you some sort of a magician?
Parnia: Not at all. We work strictly according to the recommendations of ILCOR, the International Liaison Committee on Resuscitation. We have taken some things even a bit further. ILCOR publishes their consensus findings every five years, most recently 2010. But the problem is: Most hospitals have not fully implemented all their findings.
SPIEGEL: Why not?
Parnia. That's exactly why I have written this book. I want to shine a light on the fact that resuscitation science has advanced tremendously over the last 20 years, yet the implementation of this knowledge remains very poor. This is costing us many lives every year.
SPIEGEL: Is this due to a lack of understanding on the part of doctors?
Parnia: Apparently. A recent study found that the optimal length of resuscitation to yield higher survival is at least 40 minutes. Yet most doctors will stop within 20 minutes. They don't try as hard because they wrongly think the brain will be damaged by then or that it will be pointless to continue.
SPIEGEL: Why are the findings of such studies not put into practice?
Parnia: Resuscitation has gone from something every doctor does every now and then to a highly specialized and complicated field, much like cardiology. Yet that is not generally recognized. As long as hospitals don't require their resuscitation doctors to implement all the nuances required to save brains and lives after cardiac arrest through fully trained specialists, survival rates in general will not improve. I think we need more regulation by state or medical authorities. That's the only way to reach higher standards. We can't go on with a situation where hospital or individual physicians decide for themselves what part of the guidelines they implement or not.
SPIEGEL: Basic first aid teaches us that the brain is very fragile. Three to five minutes after the heart stops, the brain incurs permanent damage due to lack of oxygen.
Parnia: This is a widely-held misconception, even among doctors. It's mostly based on research done in the 1940s, 1950s and 1960s. In those days, doctors concluded that brain cell death was inevitable in such a short time. Now we know that if treatment is correct, it really can take hours for brain cells to die. And only if all the treatments that we know today are not implemented, the damage can become apparent after as little as five minutes without blood flow. Part of the problem is that we all live in the past -- patients, doctors, nurses and legislatures. We have preconceived ideas about death. For thousands of years, death was a clear, precise moment: The heart stopped beating, and that was it. Nothing could be done from then on. You either were alive or not. But since the arrival of CPR (cardiopulmonary resuscitation) more than 50 years ago, we know that this view is no longer correct. Death is not a fixed moment anymore. From a cellular perspective, it is a process that proceeds at various speeds in the different tissues of the body after the heart stops.
SPIEGEL: And that process is, in your words, fully reversible?
Parnia: Of course, it is of paramount importance to protect the brain. CPR as early as possible after cardiac arrest is essential. But the really dangerous period for brain is only after you restart the heart and get the person back to life. It is then that you start getting major brain damage. One of the reasons for this is that when you restart blood flow to the brain, which hasn't seen any blood for a while, the oxygen itself becomes toxic. The brain can become very swollen and inflamed and at the same time, blood flow to the brain drops to dangerously low levels. The brain also becomes perilously starved of oxygen and nutrients. Consequently, most brain damage after resuscitation occurs not within the first few minutes of death, but in the hours up to the first 72 hours after resuscitation. But with proper post resuscitation care, we can minimize that.
SPIEGEL: What exactly happens once the heart stops?
Parnia: A person immediately loses consciousness, breathing stops as well, and within seconds, the brain ceases working, even at the very basic level of the brain stem. The pupils become fixed and dilated. The EEG shows a flatline. This person is now dead, yet in what we may call the early stages of death. He is a corpse, and in a hospital setting might now be certified dead and sent to the mortuary.
SPIEGEL: Unnecessarily?
Parnia: That depends on what caused the person to die, what caused his cardiac arrest.
SPIEGEL: What can you do to potentially bring him back to life?
Parnia: It is a chain of interventions, and everything we do counts. One error somewhere along the line, and he will stay dead or live with brain damage. We start with chest compressions as early as possible, first by hand, then by a machine, because in general human beings cannot administer this to the required standards for more that just a few minutes. At the same time we provide breaths via an ambu bag -- not more than 8 breaths per minute. Even this simple exercise is often done wrong in many cases. Once you pump too much air into the body, it squeezes the heart, and it won't start again. This itself can kill people -- or in this case, keep them dead.
SPIEGEL: What are some of the newer interventions that you'd recommend?
Parnia: We cool the body down, from 37 degrees to somewhere between 32 and 34 degrees. I usually go to 32 degrees. Patients stay at this temperature for 24 hours or so. Cooling has a lot of positive effects. It reduces the amount of oxygen the brain needs, it prevents dangerous chemicals like hydrogen peroxyde from forming and it slows down the process of cell death. Even this really critical part of resuscitation is not done routinely, not even in places where its benefits are known, including Germany. At times it has been reported to be used by less than 50-60 percent of hospitals.
SPIEGEL: How do you cool a body?
Parnia: We use pads that get attached to the thighs and the upper body. In a matter of hours, the cooling machine brings the body temperature down to the desired level. But you could also do this at home, if you found someone there in cardiac arrest. Call an ambulance, administer CPR and place a bag of frozen peas or other frozen vegetables on the patient. It helps to protect the brain.
SPIEGEL: What do you do that is not regularly done?
Parnia: Among other things, we check continuously how much blood and oxygen gets to the brain. If we have at least 80 percent of normal levels, the person tends to do better. If his condition doesn't improve, we follow steps that includes the use of an automatic machine to give compressions and breathing and eventually put him on ECMO. These are two catheters, one at the groin, one at the neck. It is basically a shortcut for the heart: The blood gets oxygenated outside of the body and pumped back in. It is more widely used in Japan and South Korea, and doctors there have found that their survival rates have increased when ECMO is used with the right patients. But most ICUs in the world still don't use it.

Part 2: A New Understanding of Human Consciousness
SPIEGEL: If it's so easy, why don't doctors all over the world just follow suit? Are they ill-informed?
Parnia: No, it's not that they are ill-informed. The reality is that preserving the brain requires brain experts with specialization in this field, as it is very complicated. Saving lives also requires experts in ventilator management, together with cardiac experts. No physician can be expected to be a specialist in three different areas of medicine so each does the best they can from their own perspective. With such a complicated condition the solution is to have national and professional responsible bodies to enforce and train specialists to deal with resuscitation based on 21st century standards and not 20th century ones. Rightly used, reanimation could play a major role in the therapy for many life threatening conditions and thousands more will be saved.
SPIEGEL: In what way, exactly?
Parnia: In my view, young, otherwise healthy people shouldn't die from heart attacks anymore. Remember James Gandolfini, the actor from "The Sopranos" who died last month at age 51 in Rome? I believe if he died here, he could still be alive. We'd cool him down, put him on ECMO, so oxygen gets to the tissues and prevents them from dying. Clinically dead, he could then be cared for by the cardiologist. He would make an angiogram, find the clot, take it out, put in a stent and we would restart the heart.
SPIEGEL: Is this truly a realistic scenario?
Parnia: Of course we can't rescue everybody, and many people with heart attacks have other major problems. But I will say that if all the latest medical technologies and training had been implemented, which clearly hasn't been done, then in principle the only people who should die and stay dead are those that have an underlying condition that is untreatable. A heart attack is treatable. Blood loss as well. A terminal cancer isn't, neither are many infections with multiresistant pathogens. In these cases, even if we'd restart the heart, it would stop again and again.
SPIEGEL: Doesn't the idea of "bringing people back" imply that they weren't really dead in the first place?
Parnia: I think the state they are in corresponds to the cultural concept we all have of death. We encounter it in movies and books all the time. That is my basic message: The death we commonly perceive today in 2013 is a death that can be reversed.
SPIEGEL: But not real brain death.
Parnia: No. When brain cells have decayed after a number of hours, no intervention, neither now nor in a 1000 years, will bring them back. That death is final. But up to that point, there is a gray zone. Today, we simply do not know when someone transitions from potentially reversible to irreversible. Tests used today to diagnose brain death are tests of brain stem function -- not of actual cell death.
SPIEGEL: What does this finding mean for the diagnosis of brain death as a prerequisite for organ donation?
Parnia: Nobody knows exactly how long we should wait to be absolutely certain the brain has died after it stops functioning. That's why the criteria for the diagnosis of brain death vary from country to country and, in the US, even from state to state. There are many different recommendations regarding the tests and how long physicians should wait before repeating them. But clearly: The longer the brain doesn't function, the more likely it is that the brain has truly died. Technically speaking, the brain may then not be really dead yet, as you could take individual cells out of the brain and still grow them in a lab. But it is safe to consider a person at this stage irreversibly dead for the purpose of organ removal.
SPIEGEL: As a researcher, you not only work on resuscitation but also on what people experience during the process. But these people are clinically dead. They don't experience anything.
Parnia: At least, according to our perception of consciousness. And yet, over the last 50 years since the arrival of CPR, literally millions of people have gone beyond the threshold of death and come back. Many of them tell us incredible stories of their experiences. I myself have studied more than 500 people with NDEs (Near Death Experiences).
SPIEGEL: What exactly do they tell you?
Parnia: Typically, they report being very peaceful. Some see a bright light, others feel the presence of a warm, loving, compassionate being. Many describe having a review of their lives, from childhood up to that point. Others tell of encounters with family members who have died. Others report out-of-body experiences. They feel they witnessed the scene of their resuscitation from a position near the ceiling of the room. Some even correctly describe conversations people had, clothes people wore, events that went on 10 or 20 minutes into resuscitation. One of the most fascinating NDE tales was published in 2001 in medical journal The Lancet. A man asked his nurse for his dentures, which he remembered he had put in a cupboard during his cardiac arrest.
SPIEGEL: There's no scientific proof for any of these stories. Do you believe them?
Parnia: These experiences feel very real to those who had them. Why should we doubt the reality of their experience? NDEs occur everywhere, in all cultures, in every country, in religious people and atheists, even in children younger than three years old. It would be wrong to see them as mere fabrications.
SPIEGEL: What's your personal take on them?
Parnia: It looks like people's consciousness does not get annihilated just because they are in the early stages of death. It's a medical paradox.
SPIEGEL: To say the least.
Parnia: From what the patients describe, we have to conclude that death is a pleasant experience for most people. I think we have no reason to be afraid of it.
SPIEGEL: Maybe NDEs are just tricks of the brain due to a lack of oxygen, as other scientists have claimed?
Parnia: I checked that and I don't think that lack of oxygen leads to any of these experiences. I'm the principal investigator in the AWARE study for a number of years now. We have installed shelves with pictures on them near the ceiling in various ER rooms across the US and Europe. We want to find out whether people who claim to be hovering close to the ceiling can really perceive what's going on in the room. We will publish our first set of data in November. But I won't reveal any details yet.
SPIEGEL: You are a reputable researcher. But right now you sound more like a mystic.
Parnia: I'm neutral. I'm just a researcher. For many people, death has to do with religion and philosophy, not science. To me, that makes no sense. I deal with death every day in my life. What we study is very scientific, there's nothing paranormal about it. But of course I get criticized from all sides. Paranormal enthusiasts think we are treading on their territory. Religious people accuse me of blasphemy, skeptical scientists of leaning to the other side. And we also get requests from people who ask us to kill them and get them back for science. This is dangerous territory we're in.
SPIEGEL: You have experimented with putting pictures face up near the ceiling in hospital emergency rooms to determine if a person having an NDE will, upon regaining consciousness, report seeing the target object. Isn't that going too far?
Parnia: Any new field of science inevitably meets with criticism and incomprehension. Gene therapy was once seen as pure science fiction. When string theory was first proposed, physicists made fun of it. And everyone including Einstein laughed at quantum theory. This research might well lead to a new understanding of human consciousness. Nobody can yet explain how it works and how it interacts with brain cells.
Interview conducted by Marco Evers














19 junho, 2013

Uma abordagem inteligente à Inteligência Emocional












"We live in confusing times. On the one hand, teachers are being exhorted to ‘deliver’ a tightlyprescribed,
one-size-fits-all curriculum, administer pre-packaged tests and rate children and
young people according to levels and grades in prescribed subjects. The emphasis is firmly on the pragmatic, the practical and the measurable. On the other, there is an increasing emphasison the more effective aspects of education, on personal and social  development, on understanding what makes children and young people become effective learners and on
personalising their learning experiences. The emphasis is shifting towards the emotional wellbeing
of individuals and schools, on feelings as well as facts.
[...]

Guy Claxton brings to this publication a wealth of experience, knowledge and 
insight. As a psychologist, he informs us of a body of knowledge which should
 not be ignored when considering Emotional Intelligence. As an academic he 
reminds us of the discipline and critical thinking we need to apply when approaching 
a new concept. As a widelyacclaimed and popular author, he brings a style 
of writing which is simultaneously accessible, questioning and, where appropriate, 
humorous.
 Most important of all, he suggests to readers ways in which an intelligent approach 
to Emotional Intelligence can contribute to the learning environment in schools."


Aqui pode ser descarregado em pdf e guardado para posterior leitura e análise.

17 junho, 2013

A greve geral de professores de 17 de Junho 2013

Esta greve poderia ter sido a GREVE das GREVES, se os sindicatos se tivessem chegado à frente com a questão do FUNDO DE GREVE! Tiveram muitos professores de se organizar nesse sentido. Em muitas escolas criaram um fundo para pagar a meias a greve do colega na reunião de avaliação! Mesmo assim foi a questão do dinheiro que pesou muito hoje para alguns professores! Há uma outra greve marcada para 27 de Junho. Poucos são os que suportam pagar as duas.

Já estive nessa situação há muitos anos e foi por essa mesma razão que saí do sindicato.
Ou fazia greve ou tinha dinheiro para pagar o infantário do meu filho. Pus a questão à direção do sindicato, através dos representantes na escola. A resposta que recebi sobre a criação de um fundo de greve? "Não há tradição de fundos de greve no sindicalismo português".
Podem não acreditar, mas foi essa a resposta que obtive.
E a resposta à minha carta de demissão, que pedi expressamente, ainda estou à espera, passados mais ou menos 19 anos.

Quando se lutou por causa da Avaliação de Desempenho fomos mal tratados por não termos capacidade de luta!
Na questão da criação dos Mega-Agrupamentos continuamos ( e vamos ser ainda mais) maltratados!
Na questão da Autonomia, tentam atirar-nos poeira para os olhos, com lindas palavras e introduções fabulosas nos decretos e despachos, mas no fim as balizas são tão apertadas, que não há autonomia para nada de importante!

Aos professores sindicalizados peço que levem esta questão do fundo de greve para os vossos sindicatos.
Para os não sindicalizados peço que reflictam, em conjunto com outros colegas, se é ou não uma questão determinante.
Aos múltiplos e variados sindicatos e sindicalistas peço o mesmo e peço que sejam honestos nos objectivos da vossa existência. É preciso unir a classe em torno das preocupações comuns  e consensuais: juntem-se e discutam todos os pontos em que estão de acordo. Vão ver que o que vos separa é o acessório e não o que realmente interessa.

Lembro que no ano passado todos nós trabalhamos 12 meses e recebemos 11!
Lembro que todos os que são efectivos e assinaram um contrato e foram nomeados com publicação em Diário da República, já não são efectivos: são todos mobilizáveis e dispensáveis.
Lembro a todos que diariamente estão a mudar as regras e que nós, os que sabemos bem o que se passa no terreno, nunca somos consultados.

15 junho, 2013

Liberdade


Nos dias que correm é a canção mais apropriada, já que nos querem expropriar até da própria Democracia!


29 maio, 2013

Dvořák: Symphony No. 9 "From the New World"


Dvořák: Symphony No. 9 "From the New World" 

Jansons · Berliner Philharmoniker

 Para aguçar o apetite, para a música claro, que o mundo novo já é velho!



27 maio, 2013

As crianças desaparecidas, algumas estão à vista!



26 maio, 2013

Every kid needs a Champion - Rita Pierson


Depois de ter postado no Facebook, volto a publicar aqui, que é um lugar de permanências mais longas.
Quem não percebe bem Inglês pode pôr legendas em Espanhol. Muito importante de se ouvir!



17 maio, 2013

5 Keys to Social and Emotional Learning Success




Gostava de saber Inglês sufuciente para traduzir e legendar este vídeo para Português, mas não sei!
Têm de o perceber o melhor que puderem.





Uma coisa sei: é um trabalho que tem de ser feito!

22 abril, 2013

Adela Cortina

No Público de dia 20 de Abril, outra entrevista com mais uma filósofa, sobre o mundo actual. Importante ler para pensar e sabermos o que pensar da nossa realidade.

Acabar com o Estado social é levar a Europa ao suicídio

Do mesmo modo que os Estados Unidos construíram a sua coesão social com base num patriotismo forte, a União Europeia fez-se a partir de uma ideia de Estado social. Destruí-lo é reduzir o projecto europeu à irrelevância. Por Natália Faria
Catedrática de Ética e Filosofia Política na Universidade de Valência e membro da Real Academia de Ciencias Morais e Políticas de Espanha, a espanhola Adela Cortina é filósofa residente 2013 do Instituto de Filosofia da Universidade do Porto, onde deixou nos últimos três dias três lições sobre ética na vida pública. 

Uma das suas conferências era sobre democracia autêntica e neuropolítica. Qual é a relação?
A neuropolítica estuda os valores dos cidadãos quando vão votar. Quando os cidadãos votam, acreditava-se que o faziam para defender os seus interesses, mas não é verdade. A biologia demonstrou que temos no cérebro marcos de valores que definem em quem votamos. Esses marcos estão ligados à linguagem e despertam quando ouvimos determinadas palavras. Podem ser palavras como solidariedade, transparência, família. Aquilo a que se chama o neuromarketingeleitoral pôs-se então a estudar com que palavras se podem pôr em movimento esses valores. Sempre se procurou sondar o eleitorado para ver que discurso permitiria conseguir mais votos, a diferença é que isso se faz agora com base neurocientífica. Isto começou nos EUA, com alguns neurocientistas ligados ao Partido Democrata que se perguntavam por que ganhavam os republicanos habitualmente as eleições. E concluíram que os republicanos recorriam a uma linguagem que apelava mais aos valores dos norte-americanos. E então propuseram que os democratas recorressem a uma linguagem que se sintonizasse mais com os sentimentos dos norte-americanos. Não digo que [Barack] Obama tenha ganho por isto, mas a verdade é que ele foi mudando o seu discurso e tornando mais presente a questão da família, por exemplo.
A viragem da Europa à direita...
.... A direita ocupou-se mais dos valores que conectam mais rapidamente com o eleitorado, enquanto a esquerda apela a valores mais abstractos como transparência, verdade e justiça. Mas o que me interessa é a parte da neuropolítica que trata de ver se os nossos cérebros estão preparados para viver em sociedades democráticas. Se os nossos cérebros demonstrarem que somos radicalmente egoístas, é difícil conseguir uma democracia autêntica. Quando vemos como está a União Europeia (UE) somos levados a admitir que temos cérebros egoístas que impossibilitam uma verdadeira democracia. A resposta é que não é assim. Os nossos cérebros têm uma dimensão egoísta e uma dimensão altruísta.
Que vem da educação?
E da evolução. O nosso cérebro está conformado de tal maneira que podemos ser egoístas ou altruístas. É como naquela história em que o chefe índio estava a contar aos seus netos que em cada homem há dois lobos: um está a favor da concórdia e da paz, o outro do egoísmo e violência. E os dois estão a lutar entre si dentro de cada pessoa. Quando os netos perguntam que lobo ia ganhar, o avô responde: aquele que alimentarem. Se alimentamos sentimentos de solidariedade e de responsabilidade, podemos construir boas democracias.
Disse que esta crise é económico-financeira mas também ética e política. Porquê?
Porque esta crise surgiu da imoralidade pura e dura. Não se trata de, como dizem os economistas, estarmos a atravessar um mau ciclo, mas de mentira, fraude, corrupção e das suas consequências. Veja o subprime nos EUA. Alguém se deu conta de que aquilo não valia nada, e, em vez de o reconhecer, passou a vender as acções, garantindo que ninguém soubesse o que estava a vender. Isso é enganar. E há pessoas que são moralmente responsáveis por isso. A forma como actuam os bancos, como se incentivou as pessoas a contraírem hipotecas, tudo isso se deveu a seres humanos que não actuaram como deveriam. Essa é a dimensão ética da crise.
A crise podia ter sido evitada?
Claro que há coisas que não podíamos evitar, mas há outras que são da responsabilidade de pessoas com nomes e apelidos. A UE poderia ter reagido de outra maneira. O projecto da UE era unir-nos, não só no plano económico mas também no campo político e no da cidadania. E isso não se fez. E quando há um problema, em vez de o resolvermos todos juntos, vão-se afundando os países. Tudo isso tem responsáveis, pessoas que tomaram certas decisões e que podiam ter tomado outras.
A UE sobreviverá à crise?
Há que fazer todos os possíveis para que sobreviva. Uma Europa unida favoreceria todos os países que estão nessa união. Além disso, a Europa tem uma mensagem a dar ao mundo. A chamada economia social de mercado é uma experiência única. Somos os únicos com essa economia social, não selvagem; volátil, mas com saúde pública, educação pública.
Mas a crise está precisamente a fazer recuar o Estado social.
Claro. Mas isso é negar a essência da Europa. Acabar com o Estado social é levar a Europa ao suicídio. E se há país em que se defendeu a economia social foi na Alemanha. E é impossível que a Alemanha não saiba que hoje todos os países são interdependentes. Se não comprarmos carros alemães, os alemães não poderão vender os seus carros porque a Europa é o seu primeiro mercado. Somos interdependentes e temos economias sociais que nos favoreceram a todos. Económica e socialmente. A nível de trabalho, da segurança social. Sem isso a Europa não é nada.
Como entender então a destruição do Estado social?
Os dirigentes políticos não são inteligentes. Não é só o problema de não terem grandes projectos, mas o de não serem inteligentes. Como dizia Kant, até um povo de demónios, desde que inteligentes, sabe que lhe convém mais a cooperação do que o conflito, mais a vida mútua do que o ataque. Quando nos atacamos uns aos outros, como está a acontecer na Europa, cria-se pobreza material e ressentimento. As pessoas sentem-se humilhadas e doridas e isso é mau para todos, também para os que estão melhor. Gostaria de poder lembrar os agentes políticos e económicos que a cooperação é muito mais inteligente do que o conflito. É uma questão de inteligência, nem sequer é uma questão de bondade. Estes estúpidos estão a procurar inimigos e adversários.
É a Europa a trair a sua própria identidade?
Justamente. O projecto europeu tem muitas vantagens e a mais importante é a sua capacidade de criar coesão social. Assim como os norte-americanos criaram unidade social baseada num patriotismo forte, na Europa criámos coesão social através dos direitos económicos, sociais, culturais. Essa é a essência da Europa. E por isso muitos diziam que este projecto Europeu era superior ao norte-americano ou ao chinês. Ao fazer isto, a Europa está a ir contra si própria e a condenar-se à miséria e à irrelevância.
O projecto europeu deve dar um passo em frente sob risco de desaparecer?
Uma das coisas que nos perdem é que não há povo europeu. Para falar de democracia, que é o governo de um povo, faz falta um povo e não há povo europeu. Há espanhóis, portugueses, alemães... Quando votamos para o Parlamento Europeu não estamos a pensar no bem da Europa, mas nas vantagens para Portugal, para Espanha... Neste momento, cada país vê a Europa cada vez mais longínqua e, inclusive, como uma inimiga. É fundamental criar cidadania europeia. Legalmente, politicamente e moralmente.
Ainda há tempo?
A alternativa seria renunciar ao projecto, o que me pareceria criminoso, porque uma união favorece todos os países europeus. A Europa oferece algo muito importante que é o Estado social, mas, além disso, nenhum dos seus países tem qualquer hipótese face a uma China ou uma Índia. Nada. Uns quantos milhões de habitantes em cada país que não vão a nenhum sítio. Sozinho, nenhum país europeu conta. Se estivermos unidos, somos uma voz.
Como vê os movimentos de cidadãos que lideraram os protestos em vários países?
Foram uma reacção necessária. Porque a situação era verdadeiramente injusta e era estranho que ninguém dissesse nada. O que acontece é que estes movimentos não estão estruturados, protestam e depois desvanecem-se. O que eles têm que fazer agora é canalizar-se. Em Espanha, algumas associações de cidadãos deram esse passo e estão a apresentar reivindicações muito concretas. Há uma associação que exige mudanças nos partidos. Apresentou uma proposta em que diz que os partidos são cruciais para a democracia mas funcionam mal. E apresenta dez mudanças, concretas e trabalhadas, para os partidos políticos. Estão a recolher 500 mil assinaturas para levar o tema ao Parlamento. E ao político que quer ganhar votos tem que interessar o que dizem 500 mil pessoas. Creio que este é o grande momento da cidadania activa.
Numa Europa envelhecida, é sustentável o modo como nos organizamos: nascer, estudar, trabalhar e depois a reforma, numa idade distante da meta estabelecida pela esperança média de vida?
Creio que sim. Existem, como dizia [François] Mitterrand, muitas jazidas de emprego que não foram exploradas. Desde que, claro, em vez de seguirmos por este caminho da economia financeira, entremos no caminho da economia produtiva - a crise tem muito que ver a financeirização da economia que criou uma situação de descontrolo que faz com que haja tão poucos postos de trabalho, com que os bancos não emprestem e as empresas não criem emprego. O caminho tem que ser priorizar a economia produtiva. E há muitos movimentos que estão a tentar mudar o modelo. Um deles apresenta o modelo da economia do bem comum, proposto há muito tempo por um economista austríaco, e que o que faz é potenciar a economia produtiva de riqueza, de serviços e de bens. Se a economia financeira se reduzir face à economia real e produtiva, esse modelo em que uma pessoa nasce, educa-se e tem um trabalho e depois uma reforma pode manter-se. É o mais razoável.
Mesmo se a morte das sociedades de pleno emprego já foi tantas vezes decretada?
A sociedade de emprego pleno tem que voltar. E tem que voltar porque o emprego não é unicamente um meio de vida mas um modo de identificação e de participação na vida social. E é também uma fonte de auto-estima. Não ter trabalho é um drama pessoal e não só por uma questão financeira.
Ao fim das sociedades de pleno emprego soma-se uma outra ideia que defende que o rendimento dos cidadãos terá que ser desligado do trabalho.
Um dos projectos que deveria ser posto em marcha é o do rendimento de cidadania que consiste em atribuir um rendimento básico a todos os cidadãos. Quem quisesse trabalhar poderia fazê-lo, mas se alguns preferissem viver desse mínimo necessário para viver com dignidade... Isto tem suscitado muitíssimas discussões.
A discussão já chegou aos partidos?
Alguns partidos políticos já o têm no programa eleitoral. Em Espanha, por exemplo. A ideia é que, se uma comunidade política se preocupa com os seus cidadãos, então tem que se preocupar com a sua sobrevivência e isso passa por assegurar a todos um rendimento básico que lhes permita sobreviver. O objectivo é conseguir que o dinheiro não se ganhe pelo trabalho mas por ser cidadão. E então que seria o trabalho? Uma forma de participação social.
E como se produziria riqueza?
Muitos dos defensores deste modelo são economistas. E nalguns países já está demonstrado que o modelo é viável. Em Espanha e na Bélgica, os cálculos mostram que seria viável, porque, além do mais, não há tanta gente que quisesse viver sem fazer nada. A maioria quer ter um ofício, participar. A diferença é que a sobrevivência não dependeria disso.
Seria libertar o ser humano da luta pela subsistência?
Uma forma de garantir liberdade real para todos. Se toda a gente tivesse um rendimento assegurado, seria mais fácil que todos trabalhassem em algo de que gostam. Aí, alguns trabalhos teriam que ser mais bem pagos. Ser mineiro, por exemplo, é ganhar pouquíssimo e arriscar muitíssimo. Com uma renda básica, haveria que pagar mais aos mineiros para que estes trabalhassem. Creio que há que mobilizar as pessoas para isto.
Soa utópico numa altura em que milhões estão reduzidos à luta pela subsistência.
Não é uma utopia para países ricos. Os cálculos, que levam em conta os que trabalham e os que não trabalham e usufruem de algum tipo de ajuda, demonstram que isto não é caro. São coisas que se podem articular se houver vontade. Vivemos uma situação crítica de empobrecimento maciço, mas é precisamente nestes momentos que temos que criar alternativas.

 

21 abril, 2013

Anselm Jappe


Hoje no Público, uma entrevista importante, para pensar.

O que faremos se o sistema já não conseguir criar trabalho?

No capitalismo, é a relação com o trabalho que nos define, diz o filósofo Anselm Jappe, em Lisboa a convite do Teatro Maria Matos. Mas o sistema é um "castelo de cartas que começa a perder peças". E é tempo de repensar o conceito de trabalho
O capitalismo distorceu a ideia de trabalho, desligando-a das necessidades reais da sociedade. Trabalhamos a um ritmo cada vez mais acelerado apenas para alimentar a lógica do sistema. Mas este parece ter entrado numa rota de autodestruição porque, com a exclusão de cada vez mais gente do mercado de trabalho, há também cada vez mais gente excluída do consumo, afirma o filósofo Anselm Jappe, nascido em 1962 na Alemanha e que hoje vive entre França e Itália.
Jappe - que tem três livros editados em Portugal pela Antígona, entre os quais As Aventuras da Mercadoria (2006) - faz uma conferência, na próxima terça-feira, dia 23, no Teatro Maria Matos, no âmbito do ciclo Transição. Na conferência (em português), com curadoria de António Guerreiro, Jappe vai explicar por que devemos repensar o conceito de trabalho.

A sua conferência chama-se Depois do Fim do Trabalho: A caminho de uma humanidade supérflua? O fim do trabalho está no nosso horizonte?
Essa afirmação teria espantado muita gente há algumas décadas, porque a sociedade moderna é por definição uma sociedade do trabalho, onde se coloca sempre mais gente a trabalhar. Mas o trabalho, nesta lógica, não é uma coisa que tenha existido sempre.
Existe desde quando?
Na Antiguidade, não existia uma palavra "trabalho" que incluísse todas as actividades. Seria impossível imaginar, por exemplo, que a actividade de um padre, de um camponês, ou de um escravo fossem consideradas trabalho. Cada actividade servia para realizar um fim. O que contava era esse fim - ter coisas para comer, realizar um serviço de Deus, fazer uma campanha militar, etc. O que contava era a satisfação de uma necessidade e o trabalho era o meio para isso.
Com a sociedade industrial, é o contrário, trabalhamos o mais possível porque é o trabalho que nós dá o dinheiro, e toda a satisfação das necessidades vem depois. É preciso trabalhar sempre mais para aumentar a produção. Um trabalho é um gasto de energia que se mede em tempo. Se eu faço uma mesa ou dou uma aula na universidade, são duas coisas completamente diferentes, mas posso sempre dizer "trabalhei uma hora". Esse tempo exprime-se numa quantidade de dinheiro.
Que é valorizada de forma diferente se for o trabalho de um professor universitário ou de um operário.
Uma hora de um trabalhador especializado pode valer mais do que uma de um não-especializado. É uma diferença quantitativa, mas não tem nada a ver com o conteúdo da produção.
Temos uma sociedade industrial que se baseia no uso de máquinas e de tecnologia, que servem para economizar trabalho. Seria lógico que precisássemos de trabalhar menos porque teríamos todas as nossas necessidades preenchidas com um mínimo de actividade. É exactamente o contrário que acontece. Trabalhamos hoje muito mais do que antes. Basta fazer uma comparação entre o nosso ritmo de vida e o dos nossos avós.
Hoje tudo gira em torno do trabalho. Podemos ser trabalhadores ou desempregados, mas somos sempre definidos pela nossa relação com o trabalho.
No sistema capitalista, o valor não é dado pela utilidade das coisas, mas pelo trabalho que foi necessário para as fazer. Quanto mais trabalhamos para fazer uma coisa, mais isso acrescenta valor ao produto. O lucro do capitalista provém de trabalharmos mais do que o necessário, aquilo a que Marx chama mais-valia.
Por outro lado, o capitalismo fez do trabalho o carburante da vida social. Nas sociedades anteriores, essa vida social baseava-se em questões como a dominação directa do solo, as ideias de honra ou as ideias religiosas. Na sociedade moderna somos todos definidos pelo trabalho.
Mas nas últimas décadas o trabalho começou a esgotar-se. Há cada vez menos trabalho por causa da evolução tecnológica. Podia ser uma boa notícia - vamos trabalhar menos e ter tudo o necessário. Mas é o contrário que acontece. As pessoas vão para o desemprego, não há uma verdadeira redistribuição da actividade, e os que estão no desemprego são também afastados do consumo.
O que contraria a lógica do sistema.
Sim, os que já não podem trabalhar já não têm dinheiro para consumir. É uma espécie de auto-abolição do capitalismo. Numa fábrica faz-se uma camisa em cinco minutos quando anteriormente um artesão precisava de uma hora. Isto significa que há menos trabalho investido na camisa. Numa sociedade racional diríamos "vamos fazer a mesma camisa que anteriormente, mas trabalhando apenas cinco minutos". Mas é o contrário que acontece: obriga-se o operário a trabalhar mais, a fazer mais camisas, e depois é preciso vendê-las. Se se produz cada vez mais, é para contrariar o facto de que em cada mercadoria é investido menos trabalho e portanto a mais-valia é mais reduzida.
Mas nem sempre a substituição dos humanos por máquinas retira valor ao produto final. Se eu for tomar um café, ele pode ser-me servido por uma pessoa ou ser retirado de uma máquina e mesmo assim eu pagar o mesmo por ele.
É aí que está a contradição - se uma empresa substituir um trabalhador por uma máquina, ela vai ganhar mais porque a máquina tem um custo menor. As pessoas pagam o café como antes, mas a empresa gasta menos em salários. Mas se todas as empresas fizerem o mesmo, é o próprio sistema que perde porque há menos utilização da força de trabalho. As empresas são contra o interesse do sistema. Foi assim desde o princípio.
E, no entanto, as máquinas deixar-nos-iam mais tempo livre para nos dedicar-se a outras actividades, eventualmente com maior utilidade.
Isso seria a situação ideal. Mas no sistema capitalista nem todas as actividades são valorizadas, apenas as que podem reproduzir o capital investido. O que fazemos para nós ou para os nossos amigos não é considerado trabalho porque não entra na lógica do mercado. A actividade útil para nós ou para os outros é muito diferente do que é considerado trabalho no sistema capitalista. Podemos dizer de um casal que ele trabalha numa fábrica, é trabalho, a mulher não trabalha, ocupa-se dos filhos e do sogro que está doente. A definição do trabalho não tem nada a ver com o conteúdo da actividade.
As actividades produtivas estão necessariamente ligadas à produção de mercadorias?
Não, mas têm que entrar num ciclo em que o capital se reproduz. Vejamos uma fábrica: o operário faz um carro, o carro é vendido no mercado e isso representa um lucro para o capitalista, e portanto é um trabalho produtivo. É preciso também limpar a fábrica, mas os que o fazem não dão nenhum lucro, é apenas uma despesa necessária, que não contribui em nada para o lucro, pelo contrário.
Tendemos a ver o capitalismo como um sistema alimentado por alguns e imposto a outros. Mas não é assim que o vê.
O capitalismo tem uma lógica anónima, impessoal. Os capitalistas executam apenas as leis de um sistema que os ultrapassa. Existe, claro, responsabilidade individual, mas isso conta menos do que a lógica de todo o sistema. Hoje há de novo uma forte tendência de pensar que o problema é que há um grupo de pessoas que são demasiado ávidas, os especuladores, banqueiros, etc., que exageram e põem em risco todo o sistema baseado em trabalhadores honestos.
Há uma tendência para a personalização, que se encontra também muito em movimentos como os Indignados ou o
Occupy Wall Street. Isto pode ser perigoso porque é um pouco o que aconteceu nos anos 30 com o sistema fascista, em que a cólera social se voltou contra um grupo de pessoas, nesse caso, contra a finança judaica.
O verdadeiro problema é que não há uma distribuição das actividades em função das necessidades sociais, como faria uma sociedade razoável, mas há simplesmente esta necessidade de trabalhar seja no que for para produzir coisas que não sabemos para que servem. Isso é algo que mesmo a esquerda desvalorizara, porque se preocupou sempre muito com a questão da justiça social, por perceber por que é que uns ganhavam mais do que outros.
Se as pessoas tendem a personalizar, é porque é muito difícil lutar contra um sistema sem rosto.
É mais fácil ir para a rua protestar contra os banqueiros. Mas é fácil dizer que nós somos apenas as vítimas, quando a verdade é que todos fazemos parte deste sistema, desta lógica.
Parece difícil estar fora do sistema.
Sim, participamos todos, por exemplo, na lógica da concorrência, é algo que nos invadiu completamente. Estamos sempre a tentar vender-nos, ser mais fortes do que os outros, ter sucesso no mercado. Absorvemos completamente a lógica capitalista, que não é natural, porque, no passado, a concorrência tinha um papel muito menor na vida quotidiana.
Mas não considera positiva a ideia de que muita coisa depende das nossas capacidades, e que não estamos condenados a um lugar determinado, como num sistema de castas?
A modernidade apresentou-se como uma espécie de libertação em relação ao sistema feudal, mas é uma liberdade aparente, porque é uma lógica destruidora que leva as pessoas a fazerem tudo o que podem fazer, e a considerar o mundo como uma espécie de material onde se podem realizar as próprias aspirações. É verdade que o modernismo tem um dinamismo que faltava às sociedades anteriores, mas a pouco e pouco este dinamismo tornou-se uma espécie de individualismo que tomou conta das pessoas nos países ocidentais.
Olhamos para nós próprios como empreendedores, como alguém que está sempre em busca de oportunidades. É preciso fazer desporto para estar em boa forma para trabalhar, ou frequentar meios em que se conheçam pessoas que possam ajudar-nos a ter outro trabalho interessante.
Mas, pelo menos teoricamente, as coisas dependem mais da nossa vontade individual.
A ideologia oficial diz que cada um pode fazer da sua vida o que quer, que não somos marcados pelo facto de termos nascido na Suécia ou em África, mas na realidade não é assim. Não é como no Monopólio, em que todos começam com a mesma quantia. Não há uma igualdade de oportunidades.
Mas mesmo que ela existisse, era preciso perguntarmo-nos o que queríamos fazer. Uma sociedade razoável organizaria um acordo colectivo sobre o que é necessário fazer para vivermos bem, e depois pensaria como o optimizar com o mínimo de esforço possível, com cada um a contribuir com a sua parte para a vida colectiva e durante o resto do tempo a dedicar-se a fazer o que quisesse.
Existe um espaço fora do sistema?
É evidente que sofremos cada vez mais com esta situação. As pessoas que trabalham sofrem, fala-se cada vez mais de suicídios ligados ao trabalho, há uma pressão enorme nas grandes empresas, sabe-se que se vai despedir no próximo ano metade das pessoas, e então todos trabalham como loucos para agradar a este deus que é a lógica da rentabilidade. E os que não trabalham sofrem porque são socialmente desvalorizados.
Existe actualmente uma série de iniciativas ligadas ao decrescimento, economias alternativas, grupos de trocas locais, ou de regresso ao campo, trocas entre produtores biológicos. Tenho muito a criticar-lhes, mas penso que, pelo menos, demonstram um interesse real de encontrar um caminho que não seja apenas uma gestão alternativa da mesma sociedade industrial baseada no dinheiro.
Durante muito tempo a esquerda limitou-se a propor uma distribuição mais justa desses conteúdos. Hoje existe pelo menos a tentativa de procurar ir para além disso. Mas há sempre outras forças sociais que, pelo contrário, continuam a querer apanhar o último pedaço deste bolo que é cada vez mais pequeno.
O capitalismo está moribundo?
Muitas vezes o ser humano não é rentável do ponto de vista do sistema, e isso significa que vai também deixar de poder consumir. Na Europa distribui-se ainda algum dinheiro pelos que já não são rentáveis, mas também aí há uma pressão enorme para cortar, cortar. Há esta sensação de que existem pessoas que são supérfluas do ponto de vista do sistema. Para a Alemanha, a Grécia tornou-se um país supérfluo. E dentro dos países há camadas da população às quais já não se sabe o que fazer.
Os Governos falam num regresso ao crescimento, todos querem exportar para os novos mercados emergentes.
Todos querem exportar, ninguém quer importar. Mas não é possível um mundo em que todos exportem e ninguém importe. Aquilo a que chamamos o milagre económico chinês baseia-se também nas exportações, sobretudo para os EUA. Se os países pequenos entram na lógica liberal das exportações, é terrível. Há países que em África produziam o suficiente para se alimentarem - viviam modestamente, mas com o suficiente - e quebraram tudo em nome das exportações, hoje só produzem bananas e se de repente o mercado das bananas cair é toda a economia que cai.
É preciso libertarmo-nos desta ideia de produzir em primeiro lugar para um mercado mundial.
A globalização aproximou-nos de outras culturas. Se nos fechamos nas aldeias...
A mobilidade global é bastante unilateral. Nunca tivemos na Europa fronteiras tão guardadas em relação a tudo o que é exterior. Há uma mobilidade para os turistas, e uma mobilidade para os que têm que ir procurar trabalho.
A alternativa não seria nem um regresso aos Estados-nações - isso parece-me uma ideologia bastante perigosa. Uma sociedade pós-capitalista deve ter uma base quotidiana nas realidades locais, comermos maçãs que cresceram no pomar do vizinho e não na Nova Zelândia. Isso, claro, não impede uma comunicação cultural e intelectual com pessoas que vivem noutros locais. Há pessoas que optam por trabalhar menos e reduzir as suas necessidades materiais, organizando-se com outras para terem uma vida satisfatória que não passa necessariamente pela compra de produtos ou serviços.
Mas disse que é crítico também desses movimentos. Porquê?
Porque pensam que é suficiente limitarem-se a essas medidas. Comprar os nossos produtos no produtor biológico pode ser um primeiro passo.
Qual seria o segundo?
Um movimento social que ocupasse directamente os ateliers, as fábricas. O capitalismo abandona muitas capacidades produtoras, porque já não são rentáveis, mas estas poderiam ainda funcionar bem.
Está a falar de ocupações, de gestão comunitária, faz lembrar o 25 de Abril.
Há uma memória histórica que vale a pena recuperar. Evidentemente que não vamos começar do zero.
Mas o sistema integrou rapidamente essas experiências.
Não quer dizer que as coisas se passem da mesma maneira, porque hoje em dia o sistema está muito mais enfraquecido. Hoje vivemos um momento inverso ao dos anos 70 e 80. O sistema está em recuo. Os que pertencem ao ciclo produção-consumo são cada vez menos, mesmo nos países mais ricos. Há um número cada vez maior de pessoas que não encontram lugar dentro do sistema. Se uma fábrica foi abandonada porque foi deslocalizada, seria possível tomá-la e fazer nela alguma coisa de útil.
Uma mudança depende de uma espécie de contrário social prévio. É necessário um número elevado de pessoas.
Vejo aí outro risco - isso pode facilmente tornar-se uma espécie de gestão da pobreza. A pobreza está a aumentar e o Estado poderia muito bem dar uma parcela da gestão social a este género de economia alternativa, dizendo: "Desenrasquem-se".
É ridículo, por exemplo, ver as pessoas que recuperam no final do mercado os legumes que foram deitados fora. Isso torna-se uma valorização da sobrevivência no dia-a-dia que é absurda se se continua ao nível social global a desperdiçar imenso. A ideia da simplicidade voluntária pode abrir um discurso de valorização da pobreza.
Para criar um sistema pós-capitalista usamos modelos anteriores ou é preciso inventar tudo?
O capitalismo cumpriu tão pouco as suas promessas que encontramos hoje em alguns meios uma espécie de nostalgia de regresso ao passado. Mas é certo que não vamos voltar atrás, o risco aí é o de arcaísmos violentos. É claro que a solução só pode estar à nossa frente. Podemos ter uma vida satisfatória com uma produção muito reduzida em relação ao que temos hoje.
Vê o futuro ideal como um mundo em que as pessoas trabalham menos, o trabalho é mais bem distribuído...
... em que se definem as necessidades, aquilo que queremos fazer na vida e como o podemos realizar com o menor esforço possível. É preciso começar a pensar a partir dos resultados e não do trabalho. Muitas das necessidades de hoje são compensações pelo trabalho. Uma vida dedicada apenas ao trabalho é tão pouco satisfatória que é preciso depois ter compensações, televisão, carros, viagens, jogos de computador.
Até que ponto é que essa mudança passa pela política?
Quando pensamos em política, pensamos na ideia de que o Estado deve garantir uma melhor distribuição das coisas. Mas vemos que a política não é solução, porque depende estruturalmente do dinheiro. Como há menos dinheiro à disposição do Estado para ser distribuído, o Estado tem cada vez menos poder. A esquerda, os alter-mundialistas, evocam sempre um papel mais forte do Estado. Como se o capital fosse o pólo negativo e o Estado o positivo. Mas se o Estado já não pode cobrar impostos, já não tem nada para redistribuir.
Sem Estado, como é que garantimos a protecção aos mais desfavorecidos? Não há um risco de que a lógica local seja a da caridade da aldeia?
O Estado social ainda é muito jovem e começa já a ser desmantelado um pouco por todo o lado. Existem muitos Estados onde não há praticamente ajudas públicas. Enganamo-nos se pensamos que as preocupações sociais são o coração do Estado.
Que organização social defende?
A auto-organização baseada nos bairros das cidades, unidades pequenas que decidem da sua própria vida, e depois se organizam a um nível federal com outras. Neste momento, o capitalismo é um castelo de cartas que começa a perder as peças. Não é possível dizer quanto tempo demorará a cair, mas os sinais são cada vez mais evidentes.


 

01 abril, 2013

A escola integra ou exclui?




Que faz a nossa escola?
Que podem as pessoas que trabalham nas escolas fazer?
Será que todos têm consciência da importância social do seu trabalho?

01 fevereiro, 2013


Bach, claro! Um vídeo que ajuda a seguir as várias vozes: para quem sabe música e para quem não sabe.
No fim a música "sabe" melhor e mais intensamente.



31 janeiro, 2013

31 de Janeiro - Revolta no Porto - 1891



Diz assim, nesta página da Wikipédia : "As figuras cimeiras da "Revolta do Porto", que sendo um movimento de descontentes grassando sobretudo entre sargentos e praças careceu do apoio de qualquer oficial de alta patente, foram o capitão António Amaral Leitão, o alferes Rodolfo Malheiro, o tenente Coelho, além dos civis, o dr. Alves da Veiga, o actor Miguel Verdial e Santos Cardoso, além de vultos eminentes da cultura como João Chagas, Aurélio da Paz dos Reis, Sampaio Bruno, Basílio Teles, entre outros."

Não me vou pôr agora aqui a cantar, mas «A Portuguesa, que hoje é um dos símbolos nacionais de Portugal (o seu hino nacional), nasceu como uma canção de cariz patriótico em resposta ao ultimato britânico para que as tropas portuguesas abandonassem as suas posições em África, no denominado "Mapa cor-de-rosa".» Nesta página há mais informação.


Estando a informação tão acessível, nos dias que correm, é pena que os portugueses não se lembrem de alguns acontecimentos da sua história. O tal mapa cor-de-rosa está na base das duas coisas.

06 janeiro, 2013

Política






 " Embora seja um erro desprezar aqueles que exercem bem a sua profissão, não deixa de ser verdade que, em política, tendo em conta o seu objectivo, a mediocridade é mais prejudicial do que noutra carreira qualquer." Julien Freund, em " O que é a Política", Edição Portuguesa, Editorial Futura, 1974