16 novembro, 2008

Keith Jarrett - Life (Köln Konzert)

Este vídeo, com esta música incrivelmente bonita e envolvente, é um pequeno presente para uma amiga que hoje faz anos. As imagens do vídeo são do filme " O piano", de Jane Campion.



09 novembro, 2008

Ainda a luta dos professores

Deixo aqui, apesar de não concordar com tudo o que diz, a análise que o Director do Público faz dos acontecimentos de ontem. De tudo o que li e ouvi, parece-me a análise mais lúcida e pertinente.




A razão dos professores e o autismo da ministra
09.11.2008, José Manuel Fernandes

Seriamente ninguém pode ser contra a avaliação de desempenho como condição para a progressão profissional. Mas é intolerável que, dando sinais de crescente teimosia, tente impor um modelo que não funciona, está mal pensado e ainda pior concebido

Não houve muitas notícias na imprensa, na rádio ou na televisão. Até há poucos dias houve mesmo quem duvidasse que os professores realizassem uma nova manifestação. Ou vaticinava-se que esta, a realizar-se, não fosse mais do que um desses desfiles sindicais que o país se habituou a ver para os lados do Ministério da Educação. De repente...
De repente, os professores repetiram ontem um protesto que conseguiu ser maior do que o de Março. Os próprios sindicatos devem ter ficado surpreendidos. Mais: os sindicatos parecem, neste momento, ultrapassados pelos acontecimentos.
Na última semana o PÚBLICO foi recolhendo sinais de que a mobilização para o protesto podia ser enorme, e por isso escrevemos ontem, na capa, "Mobilização total". Hoje sentimos que se está para além desse ponto: a ruptura entre os professores e esta equipa ministerial é total. Uma ruptura como provavelmente nunca aconteceu e que é transversal: manifestaram-se professores de direita e professores de esquerda; recém-chegados à profissão e veteranos; sindicalizados e não sindicalizados; principiantes e professores titulares, professores avaliadores, presidentes de conselhos directivos.
Não é possível explicar esta mobilização recorrendo a argumentos como "os professores não querem ser avaliados", "é tudo obra dos sindicatos" ou "não passa de uma reacção corporativa". Mesmo que isso tenha vindo a ser repetido por ministros, secretários de Estado e porta-vozes, a verdade é que o número de professores que se mobilizou, o número de professores que pediu a reforma antecipada com prejuízo financeiro, as notícias que chegam de todo o país de que o processo está a descarrilar, seriam suficientes para que qualquer esquipa ministerial tivesse, ao menos, a humildade de escutar, de tentar perceber por que motivo estão todos - e se não são todos, são quase todos - contra este processo de avaliação do desempenho.
No entanto, o que se está a passar era previsível. Antes da manifestação de Março escrevemos neste espaço que, depois de termos apoiado a ministra da Educação em muitas medidas impopulares, defendendo há muito a necessidade de avaliar o desempenho das escolas e dos professores, o processo que o ministério estava a montar era kafkiano e iria produzir os efeitos contrários aos desejados. Para chegar a essa conclusão não andámos a ler os comunicados dos sindicatos - tratámos antes de ler a legislação que estava a chegar às escolas. E o ponto central da crítica: imposta de cima para baixo, desrespeitando a autonomia e, sobretudo, a especificidade de cada escola.
Este tipo de visão napoleónica da escola começou a desmoronar-se rapidamente. Basta referir, por exemplo, que o famoso Conselho Científico para a Avaliação dos Professores já vai no seu segundo presidente (o primeiro demitiu-se, e não foi a única baixa registada) e, se acreditarmos no que ontem estava no seu site na Internet, teve a última reunião em Julho, isto é, há quatro meses. Nem entre os mais responsáveis pelo sistema este consegue suscitar confiança.
Mas o pior está a passar-se nas escolas, e nas escolas com os alunos e a qualidade de ensino. O ano lectivo passado, depois do protesto de Março que levou o ministério a suspender o processo, os professores regressaram às escolas e, melhor ou pior, fizeram o que estava ao seu alcance para estarem à altura das exigências da sua profissão.
Só que este ano lectivo a máquina burocrática do ministério regressou com as suas instruções, circulares e ameaças. Os resultados têm sido dramáticos não apenas para a vida dos professores, mas para o normal funcionamento das escolas. Sexta-feira a presidente do conselho directivo da escola pública que, regularmente, fica em primeiro lugar nos rankings disse, em entrevista ao PÚBLICO, como estas normas estão a destruir a sua escola. Ontem relatámos um dia na vida de uma professora avaliadora que trabalha numa escola difícil da Grande Lisboa. Se no ministério alguém lesse jornais, não teria tido de esperar pela manifestação de ontem para perceber até onde vai o mal-estar. Mas deve haver outras prioridades para os lados da 5 de Outubro.

Seriamente ninguém pode ser contra a avaliação de desempenho como condição para a progressão profissional. Mas é intolerável que, dando sinais de crescente teimosia, tente impor um modelo que não funciona, está mal pensado e ainda pior concebido.
E se alguém quisesse realmente avaliar o desempenho dos docentes e das escolas há muito que teria feito algumas coisas simples, todas elas eficazes para promover a qualidade das escolas. Uma delas seria fornecer indicadores sistemáticos e uniformes sobre a evolução dos alunos, o que exigiria provas nacionais realizadas com seriedade. Outra dar mais autonomia às escolas e criar mais mecanismos de interacção com as comunidades locais. Outra ainda ter aprovado um estatuto da carreira docente mais flexível e que permitisse às escolas fazerem ofertas de emprego diferenciadas aos docentes que quisessem motivar para os seus projectos educativos. E, por fim, permitir que as famílias tivessem mais liberdade na escolha das escolas públicas e também das privadas.
É possível que muitas dessas medidas tivessem também a oposição de muitos professores, mas dar-lhes-iam melhores oportunidades, tornariam o sistema mais transparente e responsabilizariam mais as famílias. Este sistema está a provocar o efeito contrário e, quando esta ministra passar, pois não é eterna, quem mais terá perdido serão os que menos meios têm para compensar o que as escolas públicas, cercadas e desmotivadas, cada vez lhes dão menos. A isto chama-se promover a injustiça social.

03 novembro, 2008

"O elixir d'amor "em Hamburgo



No último fim de semana voltei a assistir a um belíssimo espectáculo de ópera.
Como sempre casa cheia. A técnica continua a ser a da produção que é alternada com outras produções em cada temporada e repetida em temporadas diferentes.
Já aqui disse que seria bom alguém com responsabilidades na área ir saber como se organiza a ópera de Hamburgo. Não acredito que com semelhante oferta não haveria público em Portugal ( e alguns mecenas, já agora) para ter pelo menos uma casa de ópera a funcionar no país.

31 outubro, 2008

BACH Prelude for Cello PaulTortelier MasterClass&Performance

A propósito de uns posts no Anacruses sobre as Suites para Violoncelo Solo e algumas formas diferentes de as interpretar, deixo-vos este vídeo interessante, de um violoncelista que eu prefiro a todos os outros.

25 outubro, 2008

Isn't It A Pity?

Billy Preston performs George Harrison's "Isn't It A Pity" for the Concert for George in 2002.

15 outubro, 2008

David Oistrakh plays Tchaikovsky Concerto (1st Mov.) Part 1

O meu violinista preferido de sempre a tocar um dos meus compositores de eleição.
Em tempos pus o concerto todo no meu blog do myspace, mas os ouvintes lá são outros.



09 outubro, 2008

Mozart concerto 20 in d, K.466 - 1. Allegro - Gulda



Friedrich Gulda playing and conducting Mozart piano concerto n°20 in d minor, K.466, first movement (allegro), with Munich Philharmonic Orchestra.
Recorded in Gasteig Philharmonic Hall in Munich, in 1986, during the "Munich Piano Summer" Festival.

05 outubro, 2008

5 de Outubro

Hoje, que é dia 5 de Outubro, é como não podia deixar de ser nos tempos que correm, o dia de qualquer coisa!
Não querendo falar da República, quero falar do Professor!
Ora o que eu gostava era de dizer o que os professores poderiam começar a ser:
- mais críticos;
- mais pensantes;
- mais veementes;
- mais convencidos do seu valor;
- mais intervenientes.

30 setembro, 2008

1 de Outubro - Dia Internacional da Música

Mais Bach como não podia deixar de ser.

Bach - Brandenburg Concertos No.2 - iii: Allegro assai


29 setembro, 2008

Yehudi Menuhin & David Oistrakh - Bach Double Violin (Pt 1)

Eis uma forma de celebrar a Música!
Menuhin, Oistrakh e Johann Sebastian Bach, num Concerto com dois violinos solistas.
Uma música, a meu ver, luminosa.



Amanhã ponho aqui o segundo vídeo.

28 setembro, 2008

International Music Day



The IMD was initiated in 1975 by Lord Yehudi Menuhin to encourage:

* the promotion of our musical art among all sections of society
* the application of the UNESCO ideals of peace and friendship between peoples, of the evolution of their cultures, of the exchange of experience and of the mutual appreciation of their aesthetic values
* the promotion of the activities of IMC, its international member organizations and national committees, as well as its programme policy in general.




Letter to all IMC members dated November 30, 1974
and signed by Yehudi Menuhin and Boris Yarustowski:



Dear Sir,

The first International Music Day, organised by the International Music Council, will be held on the 1st of October, 1975, in accordance with the resolution taken at the 15th General Assembly in Lausanne in 1973.

The intention of this day is to encourage:

* the promotion of our musical art among all sections of society;
* the application of the UNESCO ideals of peace and friendship between peoples, of the evolution of their cultures, of the exchange of experience and of the mutual appreciation of their aesthetic values;
* the promotion of the activities of the International Music Council, its international member organizations end national committees, as well as its programme policy in general.


In order to put these intentions into practice, our international organizations and national committees are invited to consider the following plan of action:

Music Events:

* invite leading composers, interpreters and musicologists to give lectures, and to speak of the importance of music, of its place in modern life, of the ideals of UNESCO and of the activities of the IMC
* organize meetings of artists, competitions and musical quizzes;
* organize exhibitions of musical instruments, records, posters, paintings, sculptures, caricatures, or photographs on musical themes;
* invite delegations of musicians of other national committees to participate in thiS International Music Day, as well as prize winners of the IMO Rostrums, arid composers arid interpreters from different continents;
* ask major interpreters in your country to give concerts on International Music Day for which they would agree to contribute either all, or part of the proceeds to the Musicians' International Mutual Aid Fund.

Radio and television programmes

* broadcast concerts, as well as talks and debates with the participation of major personalities who are also music lovers a painters, writers, and even politicians On this International Music Day, leading members of the IMC will broadcast special messages.

Press and Recordings

* publish articles in the press to draw the public's attention to International Music Day;
* organize the exchange of tapes arid records1 using them for demonstration purposes

The struggle against the pollution of the sound environment

* propose to local authorities that, on this Day, they should order a few minutes of silence in towns; this period of silence would be used for listening to music to be played in public places such as parks arid main squares.



In order to realize these activities, it is essential that we niobium all the means at our disposal: radio and television, concert societies, opera companies, amateur societies; a great many different types of localities should be used to their best advantage: concert halls theatres, cultural centres, universities, churches, schools, factories, as well as in the open air: in parks, gardens, and stadiums.



We hope that this first International Music Day will constitute a major achievement among our' activities, and that it will become an annual event for the propagation of greater knowledge of our art, arid for the strengthening of the bonds of peace and friendship between peoples through music.

Yours faithfully,



Yehudi Menuhin/President

Boris Yarustowski/Vice-President

26 setembro, 2008

Arrau plays Schumann Carnaval op.9

Quem me dera ter dedos para tocar assim. Adoro esta peça e de tempos a tempos revisito e vou para o piano com ela. Sempre a melhorar mas, claro não sou pianista!

Espero que apreciem.

24 setembro, 2008

Musetta's Waltz cantada por E Parcells

Puccini outra vez!
O Dia Mundial da Música está quase aí outra vez. Este ano continua a ser o dos 150 anos do nascimento deste compositor e como tal uma boa razão para partilhar este vídeo, com a partitura sincronizada com o som.


23 setembro, 2008

Não nos deixemos iludir: o sistema está podre e é preciso mudá-lo.

Através do (Re)Flexões cheguei e este texto de Mário Soares no DN Online de hoje. Parece grande mas lê-se muito depressa.

"É preciso, pois, repensar a Esquerda reformista, na perspectiva de fazer face, com êxito, à crise e de encontrar outro modelo económico, social e político (no sentido do aprofundamento democrático e de uma maior participação cívica dos cidadãos) para dar um novo élan à Europa (paralisada), responder à angústia e ao pessimismo dos cidadãos, quanto ao futuro, reforçando a justiça social. Voltar aos valores éticos - que foram sempre bandeira da Esquerda -, ao civismo (contra o enfraquecimento dos Estados), contra as sociedades de mercado e dos negócios pouco transparentes, lutar contra a corrupção e o tráfico de influências. Voltar à militância em favor da paz e das negociações para resolver os conflitos, lutar contra a precariedade do trabalho, contra as desigualdades, a injusta distribuição dos rendimentos, pela inclusão social, contra a degradação do ambiente e pela ordenação do território. É preciso repensar as políticas de Esquerda, apelando sobretudo, à participação dos cidadãos. E velar para que as mulheres e os homens de Esquerda, que cheguem ao poder nos Estados ou nos partidos, sejam pessoas impolutas, que saibam distinguir os negócios privados do serviço público.

Foi essa honradez republicana que permitiu que a nossa I República, apesar de só ter durado dezasseis anos, deixasse um legado de moralidade que resistiu, como um exemplo a seguir, a quase meio século de ditadura. Foram os lobbies dos interesses, a imoralidade dos dirigentes dos bancos e das empresas, as grandes negociatas, envolvendo políticos, e o tráfico de influências, numa palavra, a promiscuidade entre a política e os negócios, que desacreditou a política e nos conduziu à crise em que nos encontramos. Não nos deixemos iludir: o sistema está podre e é preciso mudá-lo. Essa é a grande tarefa da Esquerda europeia, com autonomia ideológica em relação à América, uma vez repensadas as políticas e os comportamentos, para que os cidadãos se mobilizem."

16 setembro, 2008

" life is like piano... what you get out of it depends on how you play it."

Eu sei que se calhar é de mais, mas não resisto a postar aqui, vaidosamente, este vídeo do meu irmão Ricardo, a tocar o prelúdio que compôs para mim.
O vídeo é muito bonito e a música também claro! Esta já fazia parte do podcast aqui do blog.

09 setembro, 2008

Stravinsky: Petrushka, Scene I - The Shrovetide Fair

Ainda Stravinsky, eu sei que a imagem não é muito boa, mas a música é fantástica. É só para fazer a ligação com o post de Hamburgo.

~ Introduction (at the Shrovetide Fair)
~ The Charlatan's Booth
~ Russian Dance
Bolshoi Ballet Company, with Andrey Chistiakov conducting Bolshoi State Academic Theatre Orchestra

04 setembro, 2008

Citando um "entendido" em Educação

" Construir acordos políticos sem cair na incoerência
[...]poderia ser uma definição de democracia política. [...]
É pois desejável que se alargue a lógica da pilotagem negociada, que esta se instaure desde o início de uma reforma e persista até à sua avaliação "final", alguns anos mais tarde, passando pela construção de textos, das decisões formais e das diversas fases de implementação.

Para valorizar e organizar esta pilotagem negociada das reformas escolares, um ministério tem de ser credível. Não basta que dê garantias formais. Os actores não se envolverão num tal processo se não estiverem convencidos de que este não será suspenso assim que surgir o primeiro obstáculo ou assim que a administração consinta no mais pequeno compromisso.

Isto pressupõe um pessoal político e administrativo suficientemente modesto para não querer ter razão sozinho, suficientemente paciente e realista para não preferir os efeitos-surpresa e os discursos reformadores a uma evolução real do sistema , suficientemente desinteressado para não apostar tudo nas próximas eleições e trabalhar a médio prazo e, por fim, suficientemente competente para aglomerar tendências contraditórias no seio do grupo de pilotagem."

In " Aprender a negociar a mudança em educação ", Philippe Perrenoud, Edições ASA, 2004

Este último parágrafo é que eu queria mesmo citar, tudo o resto é para contextualizar.

29 agosto, 2008

Mais um link Portugal - Hamburgo



Pois é! Nunca tinha visto nada assim. Além do nome dado a este caminho, tem uma série de dados extra! Gostei das fotografias no poste e das flores plantadas nos dois vasos.



Quem quer que mantenha este "cantinho" é um verdadeiro admirador da Amália!