19 junho, 2010

José Saramago, ontem e hoje

"Um homem deve ler de tudo, um pouco ou o que puder, não se lhe exija mais do que tanto, vista a curteza das vidas e a prolixidade do mundo. Começará por aqueles títulos que a ninguém deveriam escapar, os livros de estudo, assim vulgarmente chamados,como se todos o não fossem, e esse catálogo será variável consoante a fonte do conhecimento aonde se vai beber e a autoridade que lhe vigia o caudal, neste caso de Ricardo Reis, aluno que foi de jesuítas, podemos fazer uma ideia aproximada, mesmo sendo os nossos mestres tão diferentes, os de ontem e os de hoje. Depois virão as inclinações da mocidade, os autores de cabeceira, os apaixonamentos temporários, os Werther para o suicídio ou para fugir dele, as graves leituras da adultidade, chegando a uma certa altura da vida já todos, mais ou menos, lemos as mesmas coisas, embora o primeiro ponto de partida nunca venha a perder a sua influência, com aquela importantíssima e geral vantagem que têm os vivos, vivos por enquanto, de poderem ler o que outros, por antes de tempo mortos, não chegaram a conhecer. Para dar só um exemplo, aí temos o Alberto Caeiro, coitado, que, tendo morrido em mil novecentos e quinze, não leu o Nome de Guerra, Deus saberá a falta que lhe fez, e a Fernado Pessoa, e a Ricardo Reis, que também já não será deste mundo quando o Almada Negreiros publicar a sua história. Por um pouco veríamos aqui repetida a graciosa aventura do senhor de La Palice, o tal que um quarto de hora antes de morrer ainda estava vivo, isso diriam os humoristas expeditos, que nunca pararam um minuto para pensar na tristeza que é já não estar vivo um quarto de hora depois."

José Saramago, in "O Ano da Morte de Ricardo Reis"

17 junho, 2010

Vivaldi - Bajazet "Sposa son disprezzata" Vivica Genaux

Mais uma peça Barroca com a respectiva partitura sincronizada. É muito mais interessante de ouvir.



Deixo também as informações que estavam no youtube:

Antonio Vivaldi

"Sposa son disprezzata"
Bajazet, RV 703


Bajazet is a pasticcio by Antonio Vivaldi. Its libretto was written by Agostino Piovene. It was premiered in Verona, during the Carnival season of 1735. This opera (catalog number RV 703) is presented in 3 acts, with a three-movement sinfonia as an introduction. The story is about the fate of Bajazet (known as Beyazid I) after being captured by Tamerlane (Tamerlano/Timur Lenk).


Vivaldi himself composed the arias for the good characters and mostly used existing arias from other composers for the villains in this opera. Some of the arias are reused from previous Vivaldi operas. This particular aria was taken from the opera "Merope" (1734) by Francesco Gasparini.


In this recording:


The only complete recording of this opera was released by Virgin Classics on May 10, 2005. Fabio Biondi conducts Europa Galante in Brussels for this recording. The singers are: * bass-baritone Ildebrando D'Arcangelo as Bajazet * countertenor David Daniels as Tamerlano * mezzo-soprano Vivica Genaux as Irene * contralto Marijana Mijanovic as Asteria * soprano Patrizia Ciofi as Idaspe * mezzo-soprano Elina Garanca as Andronico


Original text:


Sposa son disprezzata,
fida son oltraggiata,
cieli che feci mai?
E pur egl'è il mio cor,
il mio sposo, il mio amor,
la mia speranza.
L'amo ma egl'è infedel
spero ma egl'è crudel,
morir mi lascierai?
O Dio, manca il valor,
e la costanza.


Translation (Elfrieda Langemann O'Neill) :

I am wife and I am scorned,
I am faithful and I'm outraged.
Heavens, what have I done?
And yet he is my heart,
my husband, my love,
my hope.
I love him, but he is unfaithful,
I hope, but he is cruel,
will he let me die?
O God, valor is missing -
valor and constancy.

16 junho, 2010

Philippe Jaroussky

*This aria ( "Sposa son disprezzata") was originally written by Francesco Gasparini (1661 - 1727) for his opera "Metrope" ( premiered in Venice, 1711 at Teatro S. Cassiano) and "reused" later also by A. Vivaldi in his "Bajazet " ( Verona, in 1735) .






 
Philippe Jaroussky, countertenor

Ensemble Artaserse:
Alessandro Tampieri, violon 1
Raul Orellana, violon 2
Daniela Nuzzoli, Giorgia Simbula, Petr Ruzicka, violons
Emilia Gliozzi, violoncelle
Marco Massera, viola
Yoko Nakamura, clavecin
Claire Antonini, théorbe
Guillaume Arrignon, contrebasse
Nicolas Andér, basson .

Concert "Les Castrats à Versailles" , réalisé par Louise Narboni . Enregistré le 16 juin 2009 dans la Galerie des Glaces du Château de Versailles.
G. Giacomelli ( 1692- 1740), aria of Epitide " Sposa non mi conosci" from the Opera "La Merope", libretto by A. Zeno (1711) for Francesco Gasparini. *
First performed during the Carnival season 1734 in Venice, Teatro San Giovanni Grisostomo.

Fui descobrir o vídeo nesta página do Facebook.

10 junho, 2010

Daniel Cohn-Bendit about Greece's financial woes

Depois de ver e ouvir este vídeo não sei muito bem porque é que se pensa que os outros europeus são melhores do que nós! Porque é que andamos todos a espreitar o vizinho!  Porque é que mesmo sabendo que a responsabilidade é de quem tem o poder -  financeiro, económico e político, ainda se tenta sempre fazer de culpado o comum cidadão!
Ouçam e vejam. É apenas um exemplo!

06 junho, 2010

This is what music teaches you!


Nesta página deste grupo no Facebook, pode ler-se algumas das razões porque o ensino e a aprendizagem da Música são importantes. Porque nunca é demais divulgar! Deixo um pouco do que lá está:

"Did You Know?

Music study can help kids understand advanced music concepts. A grasp of proportional math and fractions is a prerequisite to math at higher levels, and children who do not master these areas cannot understand more advanced math critical to high-tech fields. Music involves ratios, fractions, proportions and thinking in space and time. Second-grade students were given four months of piano keyboard training, as well as time using newly designed math software. The group scored over 27 percent higher on proportional math and fractions tests than children who used only the math software.


Source: Neurological Research March, 1999"

04 junho, 2010

João Aguiar 1943 - 2010


Segundo o título do Público, morreu o escritor que amava a história.
Não vou tecer os comentários do costume, apenas dizer que vale a pena ler o que escreveu, sejam os romances históricos sejam os contemporãneos. Os livros da série do Bando dos Quatro também se recomendam para os mais novos.

21 maio, 2010

Alunos franceses vão ver clássicos do cinema nas aulas

No Público de hoje:

"Um cineclube virtual com 200 títulos do cinema clássico, de O Desprezo a Citizen Kane, vai estar disponível em todos os liceus de França, para serem incluídos nas aulas de Literatura ou História ou mesmo para que, em aulas extras, sejam mostrados aos alunos. O plano, com o nome de Cinélycée, foi anunciado esta semana e deverá entrar em vigor no próximo ano lectivo, em Setembro.

Entre os títulos disponíveis vão estar Citizen Kane - O Mundo a Seus Pés), de Orson Welles, As Crianças do Paraíso, de Marcel Carné, A Grande Ilusão, de Jean Renoir, Os 400 Golpes de François Truffaut, ou O Desprezo, de Jean-Luc Godard. Os alunos votarão nos filmes que quiserem ver.
No ano passado o Presidente francês, Nicolas Sarkozy, delineou uma reforma das escolas secundárias falando já de um equivalente moderno ao antigo cineclube, lembra o diário britânico The Guardian. "Vivemos numa situação improvável e perigosa, em que a cultura cinematográfica dos nossos alunos parece inversamente proporcional à quantidade - que é imensa - de imagens e vídeos que consomem todos os dias", disse Sarkozy, citado pelo jornal The Independent. "É urgente desenvolver o seu olhar crítico e ancorar a sua relação com a imagem em movimento numa herança cultural."
O ministro da Cultura, Frédéric Mitterand, defendeu o visionamento de filmes clássicos não só para conhecimento cinematográfico, mas também para educar sobre a realidade do século XXI. "Citizen Kane é um filme notável para se perceber as maquinações do poder, as maquinações da ambição", disse Mitterand na quarta-feira. "Podemos compará-lo com figuras contemporâneas que são ambiciosas, que querem conseguir algo, e temos uma maneira extraordinária para as perceber".
"Ensinamos literatura, música e teatro na escola. É vital ensinar também cinema (...) porque as imagens têm um papel na nossa sociedade e é muito importante aprender a descodificar imagens", disse o presidente da Cinemateca de Paris, Costa Gavras."


Parece-me uma medida inteligente, já que é prática corrente o visionamento de filmes em escolas. Assim há pelo menos uma escolha prévia, num universo de filmes quase infinito. Nada obriga a que sejam aqueles, suponho eu, mas é uma boa base. A ideia é pertinente mesmo, pois vivemos num mundo de imagens muitas vezes mal entendidas.

14 maio, 2010

Piores práticas na Educação no uso das TIC's

Através duma colega, publicado no grupo de discussão Escola-Pública no Google trago-vos um artigo publicado num blogue, EduTech - A World Bank Blog on ICT use in Education, de Michael Trucano, que se apresenta como especialista em Educação e em Tecnologias de Informação e Comunicação. O blogue é feito a meias com outra pessoa.
Acho o artigo bastante interessante.
Ainda não tive oportunidade de "vasculhar" o blogue, só li mesmo o artigo.
Ler os comentários ao post talvez também seja interessante.

08 maio, 2010

Chick Corea - "Crystal Silence"

Abri o piano. De repente lembrei-me dos dois livros que tenho, que se chamam simplesmente "Chick Corea", volume one e volume two. Como de costume a primeira a tocar foi uma das já marcadas. Calhou ser "Musicmagic", 1977. Mais umas pianadelas... Deixa-me procurar isto no YouTube. É tão bonito, ouve-se pouco, mas não encontrei. Encontrei este vídeo:



Se alguém tiver o áudio da peça Musicmagic, será que me pode enviar?
Entretanto ao procurar quem toca neste álbum deparei com uma imensa discografia, que me tirou a vontade de continuar a procurar.

25 abril, 2010

Uma das "senhas" para o 25 de Abril

Para além do simbolismo que tem esta canção, é uma das minhas preferidas de sempre.
Já agora, a voz do Paulo de Carvalho, também uma das minhas preferidas.




O post sobre o 25 de Abril é um "must" para mim. Não posso deixar passar em branco. Valorizo muito a Liberdade e como dizia no post do ano passado, é um bem que é preciso sempre cuidar, preservar e evitar distracções.

22 abril, 2010

You can't be my teacher!

A verdade é que no "nosso mundo" não pode. Mas há muitas paragens, por este mundo fora, onde se houvesse pelo menos uma sala de aula e alguns livros - manuais - text books, já era muito bom.

19 abril, 2010

A insustentável urgência da ética

No Público de ontem, Domingo, um bom texto para explicar a necessidade da ética na economia, mas também uma boa explicação para aquelas pessoas que nunca percebem para que serve a Filosofia.


A insustentável urgência da ética


Por Filipe Almeida*

Há cerca de 200 anos, quando a economia começou a estruturar-se como ciência dedicada ao estudo sistemático das trocas e dos mercados, começou também a questionar-se a necessidade urgente da sua emancipação em relação às doutrinas morais que estudavam o bem e o mal, o justo e o injusto, impondo limites à conduta e à consciência. A jovem ciência emergente da economia, deslumbrada e cheia de vitalidade positiva, não poderia ficar prisioneira dos bons costumes, sob pena de sucumbir à preguiça da tradição ou do preconceito. Queria compreender o mundo tal como ele é, sem impor-lhe uma visão do que ele deveria ser. E, assim, deu-se o divórcio da ética e da economia. Foi um divórcio amigável, já que os economistas não negavam as boas intenções da ética, embora a sua vocação normativa a tornasse aparentemente incompatível com os princípios gerais da concorrência e com as recém-descobertas leis do mercado.

Do fim daquele tempo antigo é Adam Smith (1723-1790), considerado por muitos como o "pai" da economia moderna, devendo a fama ao seu livro de 1776 sobre a natureza e as causas da Riqueza das Nações. E, apesar disso, Adam Smith foi professor de Filosofia Moral na Universidade de Glasgow. Dezoito anos antes da sua obra económica fundamental, havia publicado a Teoria dos Sentimentos Morais, onde reconhecia a genuína capacidade do ser humano para alcançar real satisfação com o bem alheio. Fez sucessivas revisões deste livro até à sua morte e, segundo consta, considerava-o superior a todos os outros que escrevera. Depois de Adam Smith, aos poucos a economia foi dispensando a ética como fonte de inspiração ou de restrição das suas análises, dos seus modelos ou das suas propostas. E raras vezes voltou a coincidir no mesmo autor o interesse simultâneo pela economia, pela moral e pela política.•

A economia tornou-se amoral e a moral tornou-se alheia à evolução dos mercados. Desde então, o mundo terá evoluído relativamente bem sem a influência dominante da Filosofia, dirão alguns, com prodigiosos e indiscutíveis progressos económicos colectivos.

A lei do mercado e a lei dos Estados pareciam bastar, sem a subjectividade dos imperativos morais, sempre discutíveis e por isso incapazes de gerar boas soluções duradouras. A economia havia assegurado os progressos. A reflexão filosófica tornara-se um exercício aparentemente ultrapassado e frequentemente inútil. E, no entanto, devemos à filosofia de Jeremy Bentham (1748-1832) o ensino e a universidade acessíveis a todas as classes com a fundação da Universidade de Londres, contrariando o elitismo de Oxford e de Cambridge. Ao utilitarismo universalista de John Stuart Mill (1806-1873), o sufrágio universal, a igualdade de direitos entre homens e mulheres, a abolição da escravatura e os princípios da tributação como instrumento da justiça distributiva e do Estado-providência. Ao pensamento de John Locke (1632-1704), a concepção de Estados laicos, com Governos independentes das Igrejas, com a política independente da religião. A Jean-Jacques Rousseau (1712-1778), o ideal democrático da soberania do povo. A Jean-Paul Sartre (1905-1980), a crítica fundamental ao anti-semitismo. À filosofia de Immanuel Kant (1724-1804), os imperativos racionais que dariam origem à formulação dos códigos deontológicos profissionais.

Os progressos humanos, na verdade, nunca foram alheios à filosofia e à ética. A economia, sem ética, dispensa a discussão dos fins que se propõe, tornando-se perigosamente cega. A prática empresarial, sem a responsabilização moral dos seus agentes, dispensa o questionamento dos meios que usa para atingir os fins, tornando-se inaceitavelmente indiferente aos impactos sociais e ambientais que provoca. Os perigos deste divórcio parecem ser, hoje, evidentes. E já há bons sinais do inevitável reencontro da economia com a ética e de ambas com a política. Mas nunca é de mais insistir na urgência desse reencontro, sob pena da mais leve distracção tornar o mundo política e economicamente insustentável.
*Docente da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra.

17 abril, 2010

Carmen


Mais uma ópera, outra vez na Staatsoper de Hamburgo.
Já me tinha esquecido de como gosto da música desta ópera. Não daquela que vem à cabeça normalmente, quando se fala da Carmen, mas da outra toda que nunca se trauteia, se adapta ou usa num qualquer evento multimédia. A mezzo soprano Cristina Damian foi uma Carmen bastante credível. A soprano Vida Mikneviciute , no papel de Micaela foi a melhor cantora da noite.



02 abril, 2010

Hamburgo e companhia!


A esta hora devo estar a chegar.
São mais de 2000 Km em dois voos, para estar
com a outra parte da minha família.
Para quem não conhece a cidade, aconselho vivamente uma visita.

É também conhecida como a Veneza do Norte.

Esta fotografia é do Lago Alster, bem no centro da cidade.

Boa Páscoa.

31 março, 2010

Pollini plays Bach

Prelude n.20 BWV 865
Do primeiro livro do Cravo Bem Temperado.


28 março, 2010

Alexandre Herculano "O homem que limpou o pó à História de Portugal"

Segundo o Público de ontem, a figura e a pessoa de Alexandre Herculano, está esquecida dos portugueses e institucionalmente também.
Há coisas que nunca se esquecem e uma das que eu nunca esqueci, do liceu, foi "A Dama Pé de Cabra". Não me esqueci do que li, mas também não me esqueci do homem. Não sabia muito acerca da sua vida e por isso fica aqui o artigo do Luís Miguel Queirós, de ontem no Público.

20 março, 2010

16 março, 2010

Mozart Bond

Dois músicos excepcionais - Aleksey Igudesman e Richard Hyung-ki Joo - verdadeiros comediantes.
Deixo este vídeo hoje para animar uma amiga.


14 março, 2010

Que acolhimento têm, na Igreja, as mulheres, os intelectuais heterodoxos, os divorciados recasados, os homossexuais?

Não sendo eu católica, nem especialista em Religião, gosto muito das crónicas de Frei Bento. Esta particularmente, pois para não variar, é de uma lucidez incrível. Deveria ser lida por algumas pessoas que acham que são donas da verdade e que infestam, entre outras coisas, as caixas de comentários dos blogues na Internet (só para dar um exemplo!).

Uma parábola docemente inquietante
Por Frei Bento

O perigo das nossas leituras dos Evangelhos reside na forma habitual como são proclamados na liturgia


1.Os católicos que, hoje, forem à missa deparam com um texto do Evangelho de S. Lucas muito estranho. É tirado do capítulo 15. Este capítulo começa por dizer que todos os publicanos e pecadores se aproximavam de Jesus para o ouvir. Os fariseus e os escribas, porém, murmuravam: este homem recebe os pecadores e come com eles.

Se tivermos em conta o que estas expressões e grupos sociais representavam, Jesus é o homem que subverte todos os valores. Gosta mais dos maus do que dos bons. As simpatias vão para os que não prestam. Ora, a virtude deve ser premiada e o vício reprimido.

Vem a seguir uma passagem que não pode fazer parte de um bom manual de pastorícia. Abandonar 99 ovelhas para ir procurar a que se tinha desligado do rebanho é expor-se a perdê-las todas. A parábola da dracma perdida, que segue a anterior, não sabe que o tempo é dinheiro. Por outro lado, ninguém dirá que a longa narrativa sobre o chamado filho pródigo possa figurar na biblioteca de uma Escola de Pais. Este capítulo, no seu conjunto, nem na secção de perdidos e achados faria boa figura.

Então, por que terá sido escolhida a última parte - a parábola impropriamente chamada do filho pródigo - para a missa do 4.° domingo da Quaresma? Serão também os Evangelhos "manuais de maus costumes", repetindo a expressão que José Saramago usou para o conjunto da Bíblia?



2.Este texto foi, pelo contrário, muito bem escolhido. Toca, de forma indirecta, segundo a linguagem própria das parábolas, no essencial da revolução religiosa de Jesus, perante a qual continua a existir grande resistência nas comunidades cristãs. Foi, aliás, para elas, para nós, que S. Lucas a escreveu.

Antes de mais, é preciso ler e entender o que está escrito. O núcleo da parábola não é constituído pela conversão do filho pródigo, como habitualmente se diz. Se assim fosse, teria de começar assim: um homem tinha um filho e este foi ter com o pai e pediu-lhe a herança que lhe correspondia... Ora, a parábola começa por dizer: um homem tinha dois filhos. Na lógica da parábola, o mais novo, o estoura-vergas, representa os classificados por pecadores e cobradores de impostos (duplamente pecadores) e o filho mais velho os fariseus e escribas, as duas categorias que presidem ao capítulo em análise, mas universalizando o alcance de duas típicas formas de existência.

A primeira retrata aqueles que, tendo vivido à margem de todas as regras, cometendo os maiores desvarios, descobrem, um dia, que andam a dar cabo da vida e, arrependidos, encontram o caminho da sua recuperação. A segunda representa o mundo religioso daqueles que medem tudo pela observância ou infracção da lei, sempre prontos a espiar o comportamento dos outros a partir da sua tabela de valores. O amor, a gratuidade, a compaixão, a festa, não fazem parte do seu universo e Deus é um juiz segundo as regras que eles estabeleceram em seu nome. Esquecemos, aliás, que a parábola é um triângulo e a revolução cristã não atinge só os típicos comportamentos dos dois filhos, mas sobretudo o comportamento do Pai, que nada tem a ver com a religião farisaica.



3.O perigo das nossas leituras dos Evangelhos reside na forma habitual como são proclamados na liturgia: Naquele tempo, etc. Fazem bem ao levar-nos até ao começo de dois mil anos de história cristã. O cristianismo também é uma memória. Corre-se, porém, o risco de pensar que os classificados como pecadores e publicanos e os designados por fariseus e escribas (os letrados) são categorias sociais e religiosas de um tempo que já passou e que não têm nada a ver connosco.

Na verdade, é precisamente o contrário. As comunidades cristãs de hoje não têm de resolver os problemas das primeiras comunidades e, muito menos, os confrontos em que Jesus foi envolvido. Se lemos os textos hoje, é para encontrar correspondências - não têm que ser literais, simétricas - no nosso tempo, na vida da sociedade e da Igreja; de outra forma, nada justificaria a sua leitura.

Seria, no entanto, perigoso participar numa celebração da missa e começar, cada um, a ver quem são os classificados como pecadores e os autenticamente fariseus da comunidade. Nada pode garantir o acerto. Por isso, Jesus proibiu-nos de julgar. Uma espantosa sabedoria, depois de muitas experiências ao longo dos séculos, chegou à conclusão de que a missa, celebrada em nome de Deus, deve começar sempre pelo acto de cada um se confessar pecador e pedir a misericórdia de Deus e dos irmãos. Sem apontar o dedo a ninguém, todos são interpelados, a começar por quem preside.

Nada disto impede que a Igreja, no seu conjunto, interrogue o Direito Canónico, os seus comportamentos e as diferentes instâncias das paróquias, das dioceses, do Vaticano, em suma, a sua pastoral à luz do capítulo 15 do Evangelho de S. Lucas, aqui evocado.

Que acolhimento têm, na Igreja, as mulheres, os intelectuais heterodoxos, os divorciados recasados, os homossexuais? Não haverá, hoje, nas comunidades cristãs, grupos que acham escandaloso que se perca tempo com ateus, agnósticos, imigrantes de outras culturas e religiões, com o pretexto de que vêm minar os nossos valores culturais e as raízes cristãs da Europa?


in Público, de 14 de Março de 2010

10 março, 2010

Chopin, Mazurka op.67 no.4

Evgeny Kissin a executar uma das minhas peças preferidas de Chopin. Neste ano de 2010, ano dos duzentos anos do nascimento deste compositor. É uma boa razão para postar aqui a sua música. Pretendo voltar a fazê-lo.

04 março, 2010

O (não) fascínio de aprender

Uma citação de um livro de John Holt.
Apesar de ter sido escrito originalmente em 1967, revisto em 1983 e publicado em Portugal em 2001, continua a ser pertinente o seu conteúdo.
Do capítulo " A Arte, a Matemática e outras coisas", paginas 183,184:



" O desenho à escala encerra, igualmente, muitas possibilidades. Lembro-me de ver, quando era pequeno, alguém fazer uma cópia em ponto grande de uma imagem pequena, colocando o original numa grelha - papel quadriculado ou milimétrico - transferindo-o depois para uma grelha maior. Penso que até experimentei uma ou duas vezes e ficava sempre admirado ao ver que dava resultado. No entanto,isto não fazia parte do trabalho da escola, tínhamos de prestar atenção para não sermos vistos. Contudo, é fácil imaginar o fascínio de uma turma de crianças pequenas a começar com um pequeno desenho de linhas e a transformá-lo num cada vez maior, até consegui uma cópia que cobrisse uma parte da parede ou o quadro. Por sua vez, isto podia conduzir à noção de pontos coordenados, gráficos e geometria analítica, representando imagens com  algo que não era uma imagem, mas sim uma função. Ou, de um ponto de vista diferente, podia fazer nascer a ideia de realizar desenhos exactos de vários objectos, em várias escalas, passando daí à medição, não só de comprimentos, mas também de ângulos, sendo até possível chegar à feitura de mapas.
      É fácil ver quanta aritmética está presente nisto. Uma das ideias fundamentais subjacentes às actividades da escola é que as crianças têm de passar muitos anos a memorizar uma série de factos aborrecidos, antes de poderem começar a fazer coisas interessantes com eles. É uma forma idiota de fazer as coisas e não funciona. A maior parte das crianças aborrece-se tanto com essa aprendizagem que desiste antes de ter adquirido os conhecimentos suficientes que lhe permitiria fazer algo interessante. E mesmo entre as crianças que aprendem todos esses factos, a maioria fica com o raciocínio tão embotado por este processo que não consegue lembrar-se de nada interessante em que os aplicar, limitando-se a acumular mais e mais factos -  o que explica grande parte da actividade que se desenvolve nas nossas escolas superiores e universidades."
in  "Como aprendem as crianças", de John Holt, 1967, 1983. Editorial presença 2001, tradução de Isabel Nunes

27 fevereiro, 2010

Aprender com o tempo!

Público - Uma semana ao acaso em 1997

"Diz-se que um clássico da literatura consegue ser mais moderno que o jornal da véspera. Ao mesmo tempo, nada é tão instrutivo como reler jornais velhos e arquivados. Um jornal de há 10 ou 20 anos funciona como bússola de um presente permanente. Em Portugal, sobretudo. Nós raramente aprendemos alguma coisa com o tempo. E, quando nos damos conta, estamos a ruminar por que é que devíamos ter pensado mais cedo naquilo que nos escapou...."


Começa assim esta crónica de Pedro Lomba. Já tem duas semanas, espero que consigam is lá ler. Podia pôs aqui o último parágrafo, mas perdia o interesse a leitura total do texto.

24 fevereiro, 2010

Museu Virtual Europeu

Através de um post no Interatic, tomei conhecimento deste Museu.
Ainda não tive tempo para explorar, mas de certeza que vale a pena.
De qualquer forma, o conceito inscreve-se na ideia de uma Europa unida, que não vinga muito entre nós, portugueses. Eu acho importante essa ideia e consigo integrar-me nela.

16 fevereiro, 2010

Filosofia no 2º Ciclo - projecto inovador

Do Educare, copiei esta notícia.
Parece-me importante por estimular algo que falta, duma forma geral,
 a muita gente: o espírito crítico, a capacidade de análise e de argumentação.

Filosofia estimula alunos do 2.º ciclo
Sara R. Oliveira| 2010-02-08

Os alunos mais novos da Escola Secundária Dr. Manuel Laranjeira, em Espinho, discutem a verdade, a justiça, o bem e o mal. Os argumentos são debatidos e o espírito crítico aguçado.


"Eu sei como é que o filósofo Sócrates morreu", diz Guilherme, de 10 anos, à professora à porta da sala, antes de a aula começar. A turma do 5.º B da Escola Secundária Dr. Manuel Laranjeira, em Espinho, prepara-se para mais 45 minutos de Filosofia, área curricular não disciplinar. Carla Pereira, a professora, escreve no quadro o sumário do dia: "Leitura do texto sobre 'a morte de Sócrates'. Discussão e avaliação dos argumentos sobre 'a obrigação perante a lei'". Bernardo, o aluno que numa aula anterior falou na célebre frase "só sei que nada sei", começou a ler o texto que será analisado nas próximas aulas.


"Esta será uma lição diferente. Não há cenários, personagens ou diálogos. Há um filósofo perante um dilema pessoal - a sua condenação à morte". A introdução aguça o apetite. A discussão começa. Guilherme aproveita para anunciar que Sócrates morreu envenenado, por cicuta, segundo viu num concurso televisivo, na resposta à questão como morreu Sócrates. É hora de "espremer" o texto e argumentar. "Os políticos não concordavam com o que ele discutia sobre a verdade, a justiça, a beleza e o conhecimento", avança Beatriz. Gonçalo acrescenta: "os políticos tinham inveja de Sócrates".


Maria João introduz uma questão importante com uma pergunta. "O facto de Sócrates ser obrigado a beber veneno tem a ver com a sua obrigação perante a lei?". "Porque não fugiu?", questiona Rúben. Nuno está indeciso. Por um lado, acha que o filósofo grego deve cumprir a lei que tanto apregoa, por outro, considera que a morte é uma condenação demasiado pesada. "Ele defende tanto a lei que não pode fugir, mas também vai morrer...". Jorge tem uma opinião clara: "Não é cobardia fugir da morte". A professora lança mais uma pergunta para a turma: Estamos sempre obrigados a cumprir a lei? "Sim, mas nem sempre cumprimos...", responde Nuno. O tema da morte de Sócrates vai continuar a ser debatido nas próximas três, quatro aulas. Até chegar-se à última questão: "E tu, o que farias se estivesses no lugar de Sócrates?".


Desde o ano lectivo anterior que o conselho executivo da escola de Espinho decidiu ocupar os 45 minutos que pode gerir com Filosofia no 2.º ciclo. Neste momento, quatro turmas do 5.º ano de escolaridade e uma do 6.º têm uma aula por semana. O convite surpreendeu Faustino Vaz, professor de Filosofia do Secundário, que o aceitou de imediato como mais um desafio. O projecto caiu-lhe nos braços e teve de criar tudo de raiz, depois de muitas horas de pesquisas. "Não há experiência no ensino de Filosofia para estas idades", lembra.


Era necessário criar uma estrutura didáctica adequada e definir quais os problemas filosóficos a abordar com os alunos mais novos da escola. Não foi fácil partir do zero, mas Faustino Vaz acabou por optar pelos problemas de ética e de filosofia política. A verdade, a justiça distributiva e retributiva, o bem são alguns dos assuntos que os alunos de 9, 10 e 11 anos tratam na aula de Filosofia, que não entra na avaliação final. "Em vez de partir de problemas abstractos, é interessante ver quais as opções, as avaliações e os juízos que os alunos formam", refere o professor. No trabalho de selecção, é fundamental escolher o que é filosoficamente relevante e didacticamente adequado.


Os assuntos têm despertado bastante interesse dentro da sala de aula e o balanço é positivo. O sentido da vida é uma das questões que um aluno já pediu para abordar na aula. "Será que as máquinas pensam?", foi a questão da filosofia da mente lançada aos pequenos estudantes. A introdução de problemas de lógica no 6.º ano está em perspectiva. "Os miúdos captam os assuntos. É perfeitamente possível ensinar Filosofia a estas idades e de uma maneira séria, dando-lhes argumentos que são classicamente discutidos."


Carla Pereira é a outra professora de Filosofia de serviço. Usa os textos criados por Faustino Vaz, herdou o material didáctico, e este ano lectivo começou a ensinar Filosofia aos alunos mais novos. "É um desafio", admite. Colocá-los a reflectir sobre os temas, avaliarem argumentos, apresentarem soluções. O que estimula o espírito crítico. "Eles interiorizam as questões principais, tomam posições, aprendem a pensar por si próprios", adianta. O papel do professor, além de conduzir a aula, é orientar no sentido de formar os melhores juízos. E sentido crítico? "Têm-no bem espevitado e bem aguçado", responde Carla Pereira. "Sabem distinguir um problema filosófico de um problema não filosófico", acrescenta Faustino Vaz.


Porque não Filosofia? Porque não aguçar a análise crítica, a capacidade de análise, o poder de argumentação em alunos que acabaram de sair do 1.º ciclo? A directora da escola de Espinho, Maria Ricardo, considerou que a disciplina fazia todo o sentido nos 45 minutos que pode gerir como entender. "É uma novidade que agrada a pais e alunos". "A Filosofia está um bocadinho na moda. É um projecto novo, é uma novidade, uma oferta da escola. Nesta idade, fica sempre lá qualquer coisa", afirma. A possibilidade de estender a Filosofia ao 3.º ciclo está, por enquanto, colocada de parte. Maria Ricardo explica que os 45 minutos são constantemente requisitados por disciplinas que fazem parte do currículo.

15 fevereiro, 2010

Boris Berezovski

Na sexta-feira passada, ouvi ao vivo e a cores este mesmo Estudo de Execução Transcendental, nº4 Mazeppa, precisamente por este pianista.






Do Programa original, Robert Schumann Davidsbündlertänze, op.6 ;Franz Liszt 4 Estudos de execução transcendente
Fryderyk Chopin Sonata nº 3, op.58, há a destacar a substituição da Sonata de Chopin, pela Sonata em Si menor de Liszt, a qual já referi em post há uns tempos atrás.

Não sendo uma fã do pianista, acho que é um grande e talentoso pianista, na minha modesta opinião.

O vídeo é fantástico e vale a pena ver, por causa da realização, além da execução trancendental, propriamente dita.

Para os fãs de Liszt e da Sonata: ainda na minha modesta opinião, um pouco rápida demais, principalmente na Fuga e também demasiado fria.

03 fevereiro, 2010

O Porto em Fotografia

Tenho um amigo, o Barata, que me manda muitas daquelas mensagens reenviadas.
Já sei que nunca vai deixar de o fazer, mesmo sabendo que se me enviar duas
ou três de cada vez eu ponho tudo no lixo.
 Já me mandou algumas piadas muito giras e já me mandou algumas ligações muitos interessantes. Muitas vezes não acho graça ou interesse, mas não digo nada. Ponho no lixo e pronto!
Este Link é mesmo muito interessante, principalmente para os Tripeiros.



Esta fotografia é desse site, tem direitos de autor claro e é da Sé do Porto.
Além das imagens tem muita informação histórica e outra informação útil.
O site é de António Amen e é bilingue: Português e Inglês.

31 janeiro, 2010

Neve em Hamburgo





Uma música para acompanhar estas fotografias tiradas ontem em Hamburgo.





Todos os lugares são vulgarmente verdes, por causa das árvores e da vegetação. Assim, parecem-me muitos silênciosos e mágicos.

28 janeiro, 2010

Donizetti em Hamburgo

No fim de semana passado assisti, com o Rainer, à ópera Lucia de Lammermoor. A soprano Ha Young Lee, no papel de Lucia tinha uma voz absolutamente poderosa, que contrastava com a sua  franzina constituição física.
Mais uma vez a orquestra e a direcção de Simone Young muito boa, com o uso de um instrumento glasharmonika, que gostei imenso de ver tocar (com a ajuda dos binóculos da minha avó Susana).



George Petean (Enrico), Ha Young Lee (Lucia di Lammermoor), Dirigentin Simone Young und Saimir Pirgu (Edgardo).


Foto: Michael Rauhe




 
A única pena que tenho é que uma música tão bonita e uma história tão trágica merecia uma cenografia melhor, mais bonita, mais coerente e menos "vanguardista". Era mesmo feia!

18 janeiro, 2010

Matiegka - sabem quem é?

Enviaram-me um ficheiro com um andamento duma Serenata deste compositor, que eu desconhecia por completo.
Na wikipédia encontrei uma biografia. Nessa página encontrei um link que me levou a um outro wiki site chamado International Music Score Library Project. Já em tempos o tinha encontrado, mas esqueci-o completamente. Há 3 peças deste compositor neste site.
De certeza, que se encontram peças fantásticas entre 47.000 partituras!

David Leisner Performs Wenzeslaus Matiegka's Scherzo


17 janeiro, 2010

Ulyana Lopatkina

Acabei de ver no Mezzo, um documentário sobre esta bailarina russa. Primeira bailarina do Ballet Kirov em São Petesburgo. Aqui tem uma entrevista em Inglês.
O que me impressionou no documentário foi a força da dança na sua vida e a franqueza com que falou do seu mundo. Na Wikipédia tem uma pequena biografia.

Uliana Lopatkina - The Dying Swan

13 janeiro, 2010

Humoresque nº7

Fica aqui a partitura para piano da peça Humoresque, nº 7 de Dvorak, que a minha amiga Luísa postou no Voxnostra.


Podem imprimir e tocar e fazer as cópias que quiserem.

09 janeiro, 2010

UBUNTU

Através do Interatic 2.0 cheguei a este sítio, o  UBUNTU  .

Acho que deve valer a pena ir ver. Do ponto de vista solidário é muito interessante.

Ubuntu is a community developed operating system that is perfect for laptops, desktops and servers. Whether you use it at home, at school or at work Ubuntu contains all the applications you'll ever need, from word processing and email applications, to web server software and programming tools.

07 janeiro, 2010

Bach Sonata No. 3 in E major,BWV 1016 with Wanda Landowska and Yehudi Menuhin "adagio,ma non tanto"

Este vídeo é uma resposta a um post do Rui Rebelo no Anacruses.
A versão é muito melhor, mas claro o vídeo é só uma montagem de fotografias. De qualquer forma, se se derem ao trabalho de ler a informação que está no youtube, o vídeo tem um valor acrescentado.



Rui, não tenho o aúdio, mas vou ver se arranjo.

31 dezembro, 2009

Bach, Air on the G string (Air on a G string, string orchestra)

Bom Ano de 2010!

Tinha de ser Bach, apesar de ter procurado outras músicas.
Até ao próximo ano.

30 dezembro, 2009

Schubert - Der Wanderer Opus 4 No 1

Há 3 dias imprimi a partitura desta canção, numa oferta do site Piano Street, cujo endereço do blog tenho aqui ao lado. Vale a pena ir lá. A oferta é a propósito dum concerto do Gulda que eles estão a passar em vídeo.
Eu sou muito ignorante nesta área da música, mas imprimi a partitura e gostei muito de a tocar. Descobri este vídeo que só agora ouvi e, ao contrário do que estava à espera, gostei bastante.

29 dezembro, 2009

A Viúva Alegre

Em Hamburgo, na Staatsoper, a Viúva Alegre de Franz Lehár.
Claro, casa cheia, óptima orquestra dirigida pela maestrina Simone Young.

Dos cantores, a assinalar no papel de Hanna - Mirian Gordon-Stewart, no papel de Conde Danilo o barítono Bo Skovhus.
Apesar de conhecer bem o argumento, tão ao gosto do princípio do século XX, a cenografia e adaptação do argumento de Hans Shavernoch, aliada ao facto da língua ser o Alemão, fez com que eu não percebesse nada!
Não fosse saber quem eram as personagens, então seria mesmo nonsense absoluto. A escolha recaiu numa versão holywoodesca de uma história dentro e fora do filme.

Fica o link  para um vídeo, com o mesmo barítono. A imagem não é muito boa mas vale a pena ouvir o Dueto.

19 dezembro, 2009

J.S. Bach: Mass in B minor "Agnus Dei" - Andreas Scholl

Mais um daqueles vídeos sincronizados: partitura e audio. Como gosto de ouvir música com a partitura, pode ser que mais alguém goste.



06 dezembro, 2009

Learn To Read Through Sound -- Cognitive Neuroscientists Use Sound Training To Help Dyslexic Children Read

Cognitive neuroscientists monitoring brain activity with fMRI found that children with dyslexia are often unable to process the fast-changing sounds used in spoken language. Sound training dedicated to teaching children to better process these sounds improves their ability to manipulate words and their phonetic components, which translates into better reading.



Aqui
A página tem um vídeo, mas eu não consigo copia-lo para aqui. Têm mesmo de ir lá vê-lo.

04 dezembro, 2009

Só um em cada cinco portugueses tem nível médio de literacia

Segundo o JN , há um estudo, apresentado recentemente na Gulbenkian, que chegou a esta conclusão.
Tentei encontrar esta notícia noutros lados, mas não consegui.

Leiam e tentem descobrir mais.
O que me incomoda mais é o mesmo estudo apontar os suecos com um número muito superior: 4 em cada 5 têm um nível médio de literacia. É uma diferença abismal!

Andamos, os professores, a inventar soluções para este problema todos os dias; andam todos à procura de uma solução, inventam-se projectos nacionais, como o Plano Nacional de Leitura, projectos locais, com Concursos, nas Bibliotecas Escolares com imensas actividades interdisciplinares.

Acho mesmo que temos de convencer toda a gente a colaborar!

Se alguém encontrar o tal relatório, por favor enviem-me o link.

25 novembro, 2009

Agenda do ambiente

Palavras de 1992. Copenhaga está a chegar. A realidade pouco mudou até agora.
O vídeo é importante, vejam até ao fim, mostrem-no.



"Severn Suzuki" da Organização das Crianças em Defesa do Meio Ambiente, durante a ECO 92 - Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente eo Desenvolvimento.


19 novembro, 2009

Vaidade

Não resisto a pôr aqui esta entrevista do meu irmão Quico, ao MP4.
Fui buscar ao blogue do Ricardo, mas está também na página do Quico no MySpace, na forma de um comentário.




Quico Serrano

MP4 | MySpace Video

18 novembro, 2009

Purcell e Händel em À Volta do Barroco

No sábado passado, vimos um Concerto fantástico na Casa da Música: The virtuoso voice, pela Academy of Ancient Music, dirigida por Richard Egarr, um multi-talentoso maestro e instrumentista e com a voz, mais do que virtuosa, de Carolyn Sampson.
O programa encontra-se aqui.

Para quem ainda não vai a estes concertos por causa do preço, devo dizer que este custou 10€ por bilhete. A sala estava composta, mas não cheia.

06 novembro, 2009

Un Ballo in Maschera - Verdi

Angela Brown - Marcelo Alvarez

Não pude ver nem ouvir o Marcelo Alvarez, mas vi e ouvi Angela Brown, em Hamburgo, nesta ópera de Verdi. A história à volta do argumento é muito interessante e está relacionada com a História da Europa, na época de Verdi.



Eu sei que o vídeo é um pouco longo, mas vale a pena!

27 outubro, 2009

Bilhar às 3 tabelas

Vejam esta série de 9 carambolas. Desliguem o som, porque o comentador é russo, talvez, e não se percebe nada. O melhor do vídeo é que depois da carambola tem a repetição, com o desenho que faz a bola 1.
O jogador é Blomdahl, que foi pelo menos 3 vezes campeão mundial.

25 outubro, 2009

William BYRD: The Galliarde to the Sixte Pavian, MLNB 21

Estava eu nas minhas pesquisas, à procura de alguma informação para acrescentar numa partitura e encontrei este vídeo, que acho fantástico. Não posso deixar de partilhar.

Performed by Yan Snimschikov (vibraphone)

24 outubro, 2009

Tosca em Hamburgo

A última ópera que vi em Hamburgo.
Muito popular, dada a música de Puccini e a história de "faca e alguidar" fácil de entender e de provocar cenas dramáticas.

A soprano Paoletta Marrocu foi para além de grande cantora, muito boa actriz. Aliás o elenco era muito equilibrado.




Deixo aqui um vídeo, pequeno, de um trecho muito bonito. Não com a mesma cantora, mas muito bom.


10 outubro, 2009

Ainda Schubert




Wanderer Fantasy D. 760
Aqui neste local encontram a partitura.
E muito interessante ouvir e ler ao mesmo tempo.
Não se tem necessariamente que ter "dedos" para tocar.

08 outubro, 2009

Schubert "Wanderer-Fantasie"

Lang Lang Live in Carnegie Hall
Franz Schubert "Wanderer-Fantasie"

Agora a explicação musical do nome do Trio do post anterior.





07 outubro, 2009

TRIO WANDERER


O último Concerto que vi em Hamburgo, no dia 3 de Outubro, foi com este Trio Wanderer, que como podem ver, se seguirem o link, são de alta craveira.

Este foi o programa :

Ludwig van Beethoven: Klaviertrio c-moll op. 1/3
Franz Liszt: »Tristia«
Johannes Brahms: Klaviertrio Nr. 2 C-Dur op. 87

O Concerto foi na pequena sala do Laeiszhalle, que é a sala ideal para concertos de Música de Câmara.
Tivemos direito a ouvir um pouco de Haydn e de Dvorak nos encores.

01 outubro, 2009

Dia Mundial da Música

Ainda há pouco esteve em Portugal, para tocar e lançar um livro.
Continua a ser um dos homens que mais admiro, como músico e como pessoa.

Chopin Waltz Op.64 No.1 "Minute Waltz", Daniel Barenboim


30 setembro, 2009

Brahms Violin Concerto Kremer Bernstein (movt. 3)

Amanhã é Dia Mundial da Música e como sempre começo hoje já a comemorar.
Num post do ano passado explicava a história da criação deste dia.
Hoje comemoro com Brahms, que é um compositor natural de Hamburgo e muito celebrado nessa cidade, que é hoje também um pouco a minha cidade.


27 setembro, 2009

Não vejo saída para o conflito israelo-palestiniano


Daniel Barenboim, hoje no Público

"É por isso que falo de uma forma alternativa de pensar. A música não vai trazer paz, não vai trazer justiça, mas é uma forma alternativa de pensar."

" Quanto mais soubermos sobre uma coisa, mais podemos voar."

26 setembro, 2009

Revista Electrónica ShareMag

Através deste Link, podem ver desde o 1º número.
Eu gostei bastante do que vi.

Eis a descrição da revista, feita por José Carlos Marques, o autor:

"A revista aborda vários temas ligados à Cultura, com especial destaque para a Fotografia, e pretende afirmar-se como uma plataforma de divulgação e reconhecimento de projectos e autores, caracterizando-se desde o inicio pela total liberdade de publicação que é imputada nos seus intervenientes."

Fica aqui também o link para o blog Share Magazine

12 setembro, 2009

Julia Fischer - Bach Concertos

Ontem estive a ver, na Mezzo TV, um Concerto de 1 de Janeiro de 2008, em que a Julia Fischer (que eu só conhecia de nome como violinista), começou por tocar o Concerto nº3 para violino e orquestra de Saint-Säens. Na segunda parte aparece ela outra vez, só mudou de vestido e de instrumento, a tocar o Concerto de Grieg, em Lá menor, para piano e orquestra.

Neste vídeo é Bach, mas aqui, neste link, podem ler alguma coisa sobre ela e sobre o dito concerto.

10 setembro, 2009

Bach - outra vez



Ainda ando a ouvir, pensar e tentar tocar alguma coisa das Variações Goldberg.
Claro que é Bach, mas mesmo sendo Bach já me podia ter cansado! Mas não. Acreditem que já cheguei a sonhar noites inteiras com a música e com as partituras.




O pianista é Glenn Gould, em "The Fabulous Recording of 1955"

26 agosto, 2009

Trio Echnaton - Beethoven e Bach

Eis então o segundo concerto do Festival de Música de Schleswig-Holstein.

Uma formação diferente, que tem em comum o violoncelista - Franck-Michael Guthmann - e um programa diferente, que tem em comum a transcrição de Dmitry Sitkovetsky das Variações Goldberg BWV 988 de J.S. Bach.

A primeira parte foi o Trio G-Dur op.9 Nr.1 de Beethoven e a segunda Bach, na tal transcrição. Os músicos são, claro, muito bons.
O Concerto teve lugar numa Igreja em Glückstadt, cidade próxima de Hamburgo e ligada também ao Elba.

25 agosto, 2009

Händel - Israel in Egypt HWV 54


Ontem, em Lübeck, assistimos, eu e o Rainer, a um Concerto de luxo.
Händel pelo Monteverdi Choir, pelos English Baroque Soloists e dirigido por Sir John Eliot Gardiner. Nada mais nada menos do que os melhores entre os melhores. Acreditem, todos naquele coro são solistas, todos os músicos da orquestra também.
Foi o terceiro e último concerto do Schleswig-Holstein Musik Festival deste ano, para nós. Espero para o ano poder cá estar outra vez.

Tenho ainda o segundo concerto para postar aqui. Talvez amanhã, quem sabe!

13 agosto, 2009

Johann Michael Bossard - artista plástico



Se tiverem paciência para ver estas imagens da Kunststätte Bossard , ficarão com uma ideia do que este homem produziu na sua vida. É pena não haver informação em inglês no site oficial, nem mesmo no local em Jesteburg, aqui, perto de Hamburgo. Não consegui encontrar, na internet, informação noutra língua. Se alguém conseguir agradeço que me enviem o link.

Além de ter visto tudo o que é acessível ao público com poucas restrições, estive dentro da casa particular. Ali é tudo trabalhado como se vê, por exemplo, na fotografia da sala que tem o piano, ou como o Templo das Artes, do qual esta segunda fotografia é um pormenor: até as traves do telhado estão pintadas.



Esta terceira fotografia é da janela da sala do último andar, que era um dos ateliês de Bossard.



Para além do prazer de ver tudo o que está exposto, fiquei muito impressionada com o tempo, provavelmente obecessivamente ocupado em acção. Sei que não viveu neste local toda a sua vida, por isso ainda me confunde mais.

12 agosto, 2009

Um pé em Berlin


Hoje, de Berlin, um pé. Será que alguém descobre de quem?
A fotografia é de 1 de Agosto, tirada por mim.

11 agosto, 2009

Praias no Mar Báltico




Ainda nos queixamos de praias cheias de gente... Pelo menos as "barracas" destas praias são muito mais bonitas. Já as tinha visto, mas não ao vivo.


10 agosto, 2009

Variações Goldberg - Bach

Um Concerto extraordinário, pelo Ensemble Resonanz , que tive a sorte de assistir, no âmbito do Schleswig-Holstein Musik Festival

Samstag, 8. August 2009, 20.00 Uhr
Ev.-Luth. Vicelinkirche, Neumünster

Johann Sebastian Bach: »Goldberg-Variationen« BWV 988 (Fassung für Streichorchester)
Anton Webern: Fünf Sätze op. 5, Fassung für Streichorchester
Anton Webern: Streichquartett op. 28

Juditha Haeberlin, Einstudierung
Frank-Michael Guthmann, Einstudierung


Nunca tinha ouvido em transposição para cordas e contínuo e adorei.
Só depois, ao ver o site, me apercebi que tinham um CD gravado com a peça.

Os links são para as páginas em Inglês.

18 julho, 2009

Simply Red - Ev'ry Time We Say Goodbye (live)

Hoje acordei com esta canção na cabeça, sabe-se lá porquê!
Sendo assim, resta-me partilha-la, a ver se vai povoar outras mentes.

Esta é apenas uma versão. A música é de Cole Porter.

08 julho, 2009

Festival Internacional de Música da Póvoa de Varzim 2009



Está a chegar, um dos melhores festivais de Música que eu conheço.
Deixo-vos o programa no link, ou se quiserem ver mais vão directamente ao site do Município.




O programa é muito bom.

06 julho, 2009

“Ter esta ideia da democracia é “monstruoso”, a análise de José Gil e o “estado da Nação”

Para quem tiver tempo de ver e ouvir e pensar.
Continuo a achar que o que o José Gil pensa e diz é importante para nós, cidadãos portugueses e cidadãos do mundo.


05 julho, 2009

Rachmaninov por Ashkenazy

Rachmaninov tocado por Ashkenazy. Talvez não esteja na moda, mas faz parte do que eu estava a ouvir, dentro da música que tenho. Música para dois pianos, Suite nº 1 em G minor, op.5, nº4.

23 junho, 2009

Paris - Texas, o filme de Win Wenders

A propósito de uma pequena conversa com duas colegas, percebi que há algumas pessoas que não conhecem este filme. Sabem como é aquela mania que temos às vezes, de que todas as pessoas conhecem o mesmo que nós? Pois, de vez em quando acontece que descubro que não.
Esta é a razão do post, recomendar a quem nunca viu, que veja este filme, que eu acho fabuloso.
O vídeo é o que pude encontrar, não encontrei o trailer. Acho que dá para aguçar um pouco o apetite.

20 junho, 2009

O Camaleão

Hoje no Público, sob um título diferente, mais uma crónica certeira de Vasco Pulido Valente.


06 junho, 2009

Delibes - Lakmé Flower Duet Erika Miklosa Bernadett Wiedemann

Na semana passada a minha irmã ofereceu-me um CD com árias de ópera.
Esta é a primeira ária, duma ópera que tenho em CD, mas que nunca vi ao vivo. Mas sei que muitas pessoas conhecem a música mas não sabem de quem é, nem o que é.




Na Wikipédia encontram mais informação.

03 junho, 2009

The Muppet Show - Ease on Down the Road

Uma nova versão da história do flautista e dos ratos.
O flautista é Jean-Pierre Rampal.

25 maio, 2009

Os Brincalhões


Adorei o título desta carta de um leitor ao Director do Público!
Publico-a aqui porque costumo dizer que se brinca às escolinhas e este leitor tem exactamente a mesma ideia do que eu.

24 maio, 2009

A Europa, as eleições e os Europeus


Hoje no Público, diz Teresa de Sousa que a "A crise é o traço de união entre os 27 países da União Europeia que, com os seus 375 milhões de eleitores, se preparam para escolher, entre 4 e 7 de Junho, os seus representantes no único parlamento supranacional do mundo eleito por sufrágio universal." É realmente um prodígio, uma situação impensável em tempos anteriores. Mas também faz a análise do que separa a Europa e do medo da perda de identidade.
Eu acho que a UE ainda é demasiado união económica e ainda está demasiado sujeita à manipulação do poder político e dos média.
Há uns dias alertaram-me para a falta de notícias diárias sobre a UE no Público, por exemplo e em muitos jornais na Alemanha, em comparação com a imprensa da Dinamarca. Só em vésperas de eleições, ou mudança de direcção ou assinaturas de tratados é que a UE aparece na imprensa, nomeadamente a portuguesa.
Claro que há apatia, falta de informação e de interesse.

21 maio, 2009

Arte - Quadro Chinês





Este é um famoso quadro chinês, tesouro cultural do país e património do
Museu de Xangai, que leva multidões a apreciá-lo demoradamente. Pintado
entre 1085 e 1145, mede cerca de 24.5 por 5,28 m.

Apreciem-no, deslocando o cursor.

*Quando aparecerem quadrados brancos, cliquem*

16 maio, 2009

Billard

Encontrei isto no youtube e fiquei cheia de saudades de jogar bilhar às 3 tabelas!