10 outubro, 2011

Elena Lasida



Para ler! Um pouco de optimismo, por uma economista.
Hoje no Público.

"É preciso pensar a economia como um lugar onde se constrói a vida em conjunto"

Por Paulo Miguel Madeira A economista, residente em França, vê a crise como uma oportunidade de realizar uma mudança de fundo que aumente a articulação entre a esfera financeira e a economia real.

Elena Lasida, que cresceu no Uruguai e vive em França, veio a Lisboa fazer a palestra da sessão de abertura da conferência Economia Portuguesa: Uma Economia com Futuro, convocada por um conjunto de investigadores e professores de Economia e outras ciências sociais com o objectivo de contribuir para a renovação do pensamento e do discurso económicos. Defende uma mudança de fundo no sistema económico, com particular incidência na lógica do sistema financeiro, e apresentou as ideias de aliança e de promessa como alternativas às de concorrência, contrato e previsão, actualmente hegemónicas.  
Elena Lasida, que cresceu no Uruguai e vive em França, veio a Lisboa fazer a palestra da sessão de abertura da conferência Economia Portuguesa: Uma Economia com Futuro, convocada por um conjunto de investigadores e professores de Economia e outras ciências sociais com o objectivo de contribuir para a renovação do pensamento e do discurso económicos. Defende uma mudança de fundo no sistema económico, com particular incidência na lógica do sistema financeiro, e apresentou as ideias de aliança e de promessa como alternativas às de concorrência, contrato e previsão, actualmente hegemónicas. 

Em que sentido deve ser a mudança?
Há um problema de coerência do sistema e a actual crise financeira mostrou uma espécie de desfasamento entre todo o sistema financeiro e a economia real. Uma das coisas que é preciso restabelecer é a articulação entre a esfera financeira e a economia real. Parece absolutamente indispensável uma maior ligação entre o sistema financeiro e o resto da economia. E, igualmente, como pensar a economia, não apenas em termos de produção de riqueza, mas também como um lugar onde se constrói a vida em conjunto, a vida da sociedade.

Qual deveria ser a nova relação entre o sistema financeiro e a economia real?
Devia-se criar uma interdependência maior. O sistema financeiro funciona de maneira completamente independente da economia real. A maior parte das empresas tem accionistas e a empresa, sobretudo, produz para poder remunerar os accionistas - e o que é prioritário não é o investimento na actividade, é a remuneração dos accionistas. Na bolsa, o critério para o sistema financeiro é o aumento dos valores bolsistas, sem qualquer relação com a evolução da economia real. Porque a bolsa funciona de modo completamente autónomo. Na economia real, a racionalidade visa calcular o que tem maior probabilidade de dar um lucro mais elevado. No sistema financeiro não é isso: o que se vai procurar é fazer como os outros, mas antes dos outros. Na bolsa, por exemplo, a especulação baseia-se no facto de que se ganha dinheiro vendendo por um preço mais caro do que se comprou. Para isso, o que é preciso é antever o que os outros vão fazer. 
Como se pode fazer com que deixe de ser assim?
É preciso controlar a especulação, é preciso criar maior relação entre o valor das acções e a economia real. É precisa uma maior relação entre o que o capital oferece e o que o trabalho oferece.

Na conferência, centrou-se nos conceitos de desenvolvimento durável e de economia solidária. Também devem ser adoptados no sistema financeiro?
É uma coisa que já existe. Há muitos bancos do sector cooperativo, mas do meu ponto de vista é preciso ir mais longe do que isso. É sobretudo preciso criar muito mais interdependência entre quem poupa e quem pede dinheiro à banca, quem pede crédito. Por exemplo, em vários bancos, hoje, ao depositar dinheiro numa conta de poupança, há a possibilidade de perguntar o que é que o banco vai fazer com esse dinheiro, onde o vai aplicar. E há mesmo a possibilidade de escolher o sector em que se quer que o banco aplique o dinheiro, ou escolher renunciar a parte do juro, para que esse juro possa ser investido em actividades de utilidade social. Isto ainda tem um impacto bastante limitado. Mas, por exemplo, o respeito pelo ambiente e pelos direitos sociais são coisas cada vez mais exigidas no investimento.

Defende que devemos pensar mais em termos de qualidade de vida do que de quantidade de produção. Como entende essa qualidade de vida?
Penso que a qualidade de vida não se põe apenas ao nível do rendimento ou do conforto material que se tem - claro que isso conta -, é também todo o tecido relacional em que se está inscrito. É se temos trabalho, se vivemos num local onde se conhecem as outras pessoas, se estamos integrados na sociedade... Nesse sentido, pode-se falar em relação.
Acredita que estas ideias podem ser aceites e ganhar força na sociedade? No final de 2008, quando o sistema financeiro ocidental estava à beira da falência, falou-se muito de alternativas para o funcionamento da economia, na regulação da finança e da economia global, mas depois pouco mudou. Parece que as pessoas querem que as coisas continuem como estão.
É verdade. É preciso conseguir mostrar às pessoas que, com um modo de vida em que se partilha mais, em que há mais tempo para estar com os outros, em que a relação tem um lugar mais importante, pode-se viver melhor. É importante que as pessoas experimentem e sintam que um outro modo de vida dá mais felicidade.

Disse que o interesse do comércio justo e do microcrédito é mostrar que é possível a economia funcionar de modo diferente do dominante. Isso pode desencadear uma mudança?
Penso que há uma capacidade transformadora, que estas realidades estão a fazer mudar as coisas. Mas não sei como isso vai acontecer. A mudança não será porque todas as empresas se vão transformar em cooperativas. A mudança é mais por, hoje, as grandes empresas colocarem a questão da democratização da empresa, da ligação empresa-cidadão, da responsabilidade social da empresa.

Defende então a ampliação da economia social e solidária...
Sim, mas não creio que se deva dizer que é um modelo que se deva generalizar. Não acredito nisso, mas acredito que se possa alargar bastante face à sua realidade actual.
    

25 setembro, 2011

Mozart - Adagio in E, K. 261

 Nathan Milstein, 1950 Vladimir Golschmann, RCA Victor Orchestra



Só a música, com os ruídos dos antigos discos de vinil.
Mais uma peça de Mozart através das memórias que tenho do Rainer.

24 setembro, 2011

O homem mais rápido sem pernas - Oscar Pistorius



Foi a fotografia que me chamou a atenção, mas a entrevista é muito interessante de ler. Passa uma mensagem bastante importante para aquelas pessoas que se queixam de tudo na vida.
A fotografia online é muito mais impressionante.

No Público online  .

11 setembro, 2011

11 de Setembro 2011 - a melhor crónica



Não podia deixar passar. Vale a pena ler, do princípio até ao fim, sem saltar partes ou ler na diagonal. No Público de hoje, dedicado em boa parte à data que hoje se comemora.



08 setembro, 2011

Sobre o início do ano escolar...

Hoje no Público a pergunta a algumas pessoas era:

Que medida gostaria de ver adoptada nas escolas pelo novo ministro?

Achei muito pertinente a resposta de Lucília Salgado, Investigadora e docente na Escola Superior de Educação de Coimbra :

"Gostaria que continuasse a fomentar na mesma linha a educação de adultos, porque ela tem um efeito importantíssimo nos filhos. Os adultos que fizeram um processo de educação de adultos têm melhores competências para orientar os filhos na escola e isso pode mudar o nosso sistema educativo, cujo atraso se deveu ao atraso dos adultos que não souberam - não sabiam - orientar os filhos para a escola. Os estudos comprovam, por exemplo, que os adultos que faziam as Novas Oportunidades conseguiam ter uma prática de envolvimento com os filhos que é facilitadora do sucesso escolar".

É pertinente, porque é um ponto de vista sistematicamente esquecido quando se fala em educação de adultos, em formação ao longo da vida e se argumenta com os custo para o país.
Acho que a ignorância é sempre mais cara do que as Novas Oportunidades.
Temos de quebrar o ciclo da pouca importância da Escola na nossa sociedade.
É isso que tem atrasado o país e mantido no poder uma determinada elite, pouco dada a democracia real e já agora maioritariamente pouco culta!

06 setembro, 2011

23 agosto, 2011

Acabou o jogo dos dominós

O comentário de Jorge Almeida Fernandes, hoje no Público.
Vale a pena ler!



A queda do regime de Muammar Khadafi é um acontecimento impressionante. Muitos a olham já como o detonador da segunda vaga ou de um segundo alento das revoluções árabes. É fascinante a vários títulos. Marca o fim de seis meses de guerra civil e de quatro de intervenção da NATO. Por outro lado, Khadafi não é um déspota cinzento como o tunisino Ben Ali, com quem tudo começou. O espalhafatoso coronel é uma vedeta, um clown "global", praticamente desde que conquistou o poder há 42 anos. Foi o encenador do seu próprio espectáculo. Por isso, mais impressionante é a queda.

O público maravilhou-se com o "efeito dos dominós" - Tunísia, Egipto, Líbia, Iémen, Bahrein, Síria... O temor do contágio levou alguns governantes - inclusive os sauditas, guardiões da ordem - a ensaiar reformas, umas cosméticas, outras com algum alcance, caso de Marrocos. Os últimos meses foram marcados pela derrota dos manifestantes xiitas do Bahrein, pela repressão na Síria e pela imagem de atolamento das transições nos próprios países exemplares - a Tunísia e o Egipto.


"Muita da visão convencional nas últimas semanas era a de que a Primavera Árabe se estava a transformar num Verão maçador", escreveu ontem o americano Philip Zelikow no Financial Times. "A queda do coronel Khadafi vai renovar o ímpeto." Para já na Síria. Mas provavelmente ressoará por todo o Magrebe e no Golfo Pérsico. Vários analistas árabes esperam que a máquina revolucionária reentre em funcionamento.


O teste sírio
O primeiro teste será logicamente em Damasco. O regime de Bashar al-Assad perdeu a legitimidade. Tem sido objecto de uma política de influências cruzadas entre a Turquia, o Irão e a Arábia Saudita. A capacidade de arbitragem das potências regionais está a esgotar-se. Damasco não escuta os conselhos reformistas turcos, estes são contrariados pelo Irão, que tem meios de pressão sobre Ancara, enquanto a Arábia Saudita espreita o momento de colher os frutos da sua discreta intervenção. A queda de Assad mudaria o xadrez regional. Israel assiste inquieto, já que outra peça do tabuleiro regional se começou a mover em seu desfavor - o novo Egipto. Note-se que a ameaça de outro incêndio em Gaza pode obrigar os actores a refazer todos os cálculos.
O regime sírio resiste, mas desgasta-se inexoravelmente. Explica um diplomata francês, recém-chegado de Damasco, que também a capital se começa a mover, pacientemente, da periferia para o centro. As manifestações mudam a vida das pessoas pelo simples facto de elas "poderem gritar a sua cólera quanto mais não seja por alguns minutos". "Este efémero sentimento de liberdade contribui para destruir o seu maior inimigo - o muro do seu medo pessoal. (...) O regime não poderá aguentar o ritmo actual da repressão e da vigilância." Há fissuras na sua própria base de apoio, a minoria alauíta.


As difíceis transições


A Tunísia e o Egipto têm sido olhados como decepção. "Os países em transição enfrentam imperativos contraditórios", escreve Marina Ottaway, do Carnegie Endowment for International Peace. "Precisam de andar depressa para eleger governos legítimos que possam fazer verdadeiras reformas, mas precisam de tempo para obter consensos sobre princípios", consolidar os partidos e fazer leis eleitorais. Entretanto, "as pessoas estão cansadas de esperar e querem ver mudanças" e dão sinais de que podem voltar às ruas.
"A lição da Tunísia e do Egipto para os países que vão entrar em transição é que é impossível - e até desaconselhável - organizar eleições em poucos meses." Mas um "processo lento" exige um plano de acção e um calendário rigorosos para que os governos não percam a legitimidade, conclui Ottaway.
As instituições exigem tempo. Se milhões de jovens árabes se emanciparam mentalmente em meses, a "Primavera" não se avalia em meses, mas em anos. Trata-se de uma insuportável eternidade para os media, disse alguém.
O principal equívoco é tomar a liberdade como uma espécie de estado natural do homem, o que conduz à ideia peregrina de que, derrubado o tirano, a democracia se derrama sobre os cidadãos. A democracia só existe sobre instituições.


É este o novo problema da Líbia, país sem Estado, sem sociedade civil, sem partidos e sindicatos. As ameaças são o vazio e o caos. Não há forças com legitimidade e capacidade para governar. Por isso a vitória sobre Khadafi foi ironicamente qualificada de "sucesso catastrófico". Recusar o caos é começar por procurar um consenso entre tribos e regiões e um tipo de poder que a generalidade dos cidadãos aceitem. Não há democracia de dominós.



16 agosto, 2011

Song Without Words Op.102 no.1 in E Minor

Mais Mendelssohn, tocado por Barenboim. Mais Canções sem palavras.
Lied ohne Worte, em alemão, de um compositor que também nasceu em Hamburgo.


14 agosto, 2011

"Ou as coisas mudam, ou muito ainda está para vir"

A última parte de uma entrevista a dois jovens ingleses,  socialmente interventivos. Muito novos mas que sabem o que dizem.
Vale a pena ler hoje no Público esta entrevista e todo o artigo sobre os motins em Inglaterra.

O que é que Cameron devia fazer?

Amena Amer: Abrir os olhos. E perceber de onde vêm estas pessoas, a discriminação que sentem na polícia e no Estado há anos e a falta de oportunidades por serem de determinada minoria. Se só tentarmos restaurar a ordem sem abordar isto, ficamos sem capacidade para prever o quão pior será da próxima vez.
Symeon Brown: Mais segurança nas ruas é importante. Mas a seguir é preciso perceber a criminalidade juvenil. É preciso falar de cidadania e de identidade e por que há algumas pessoas que se identificam com a comunidade e outras não. Há esta ideia de que estão a incendiar as sua próprias comunidades, mas será que as sentem como suas? Porque é que achamos isso, quando tivemos Thatcher a dizer que não há sociedade, apenas indivíduos e as suas família? Claramente há muito a fazer, mas não acredito que exista vontade para fazer esse debate.









10 agosto, 2011

Album Blatt Opus 117 by Felix Mendelssohn




Mais uma Canção sem palavras. Em mi menor.











Albumblatt Opus 117 by Felix Mendelssohn, performed by an amateur pianist in Kibbutz Mishmar HaEmeq, Israel, for the celebration of Mendelssohn's 200 anniversary. February 2009.




03 agosto, 2011

Obrigadinho por nada

Na crónica de hoje, no Público, Rui Tavares no seu melhor!
E é que não há maneira de verem!

"Este acordo não é bom para os EUA, que arriscarão trocar uma recuperação fraquinha por um regresso à recessão, e não é bom para o resto do mundo, cada vez mais rendido à ilógica da austeridade expansionária. Quando toda a gente cortar custos para ficar mais competitivo, que vamos fazer com a competitividade ganha? Exportar para Saturno?"

30 julho, 2011

Lixo espacial

Falta um aspirador para nos salvar do lixo espacial

Um muito interessante artigo, no Público online. É educativo ver como os maus princípios praticados no nosso quintal se estendem de uma forma tão grave para o quintal da toda a humanidade. E os responsáveis não têm uma solução.

22 julho, 2011

Grãos de areia electrónicos

Hoje no Público, P2, naquele pequenino artigo relacionado com o futuro e ciências da Ana Gerschenfeld.

Muito interessante e entusiasmante, pelo menos para mim.






       Fazer computadores do tamanho de um grão de areia exige circuitos electrónicos à escala molecular. Mas como ligar entre si os componentes desta futura “electrónica molecular”, controlando a qualidade e a posição das ligações? Yuji Okawa e colegas, do Instituto Nacional da Ciência dos Materiais japonês, conseguiram ultrapassar este obstáculo – que, segundo escrevem no Journal of the American Chemical Society, é “a chave da electrónica molecular”.
A nova técnica, de “soldadura química”, permite “ligar as moléculas funcionais com nanofios condutores” fabricando cadeias moleculares que vão formando ligações químicas espontâneas com os componentes do circuito em construção.

21 julho, 2011

Gabriel Fauré

Um compositor de quem ainda não postei nenhuma peça.

Jean Hubeau - Barcarolle n°4 en la bémol majeur Opus 44

19 julho, 2011

Uma ponte para atravessar o Mar Vermelho



An image snapped from the Space Shuttle Endeavor shows the Sinai Peninsula (left) and the Strait of Tiran. The finger of water in the middle is the Gulf of Aqaba; the bulge in the lower right is the Red Sea. Egypt and Saudi Arabia plan to build a 32-kilometer (20-mile) bridge across the bottom of the gulf.

Aqui podem ler o artigo e ver mais umas fotografias.

16 julho, 2011

"Até o Infinito e mais Além "?




Aqui, seguindo este Link vão dar a um documentário da BBC, legendado em Português, sobre a existência ou não do infinito. Matemáticos, cientistas. Muito bem realizado e problematizado. Alguns conceitos muito bem explicados. E claro, com a vantagem de parar, voltar atrás e perceber melhor.