Estive a ver este Concerto no Mezzo. Este vídeo não tem a qualidade do que eu vi, mas é uma amostra muito boa. Com grandes músicos, claro!
Herbie Hancock, Wayne Shorter, Marcus Miller, Sean Jones, Sean Rickman
05 novembro, 2011
TRIBUTE TO MILES - JAZZ A VIENNE 2011
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Tributo a Miles Davis
04 novembro, 2011
Voto em Branco - de grande utilidade!
"Era o único candidato no boletim de voto e perdeu!"
Uma notícia diferente, que dá alguma esperança à democracia representativa, que é ainda o melhor sistema político conhecido. No Público online de hoje.
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23 outubro, 2011
VENCIMENTOS QUE NAO MERECEM CORTES...
A informação vale o que vale. Chegou-me por email, não sei quem recolheu a informação, se está exacta ou não. Mas como sei que nestes casos a informação tem de ser pública, suponho que esteja certa. Porque é que há pessoas que acham que ganhar estes montantes é legítimo, não consigo entender! É no mínimo imoral. Se é legal, é necessário mudar a lei.
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22 outubro, 2011
Liszt - Valse Impromptu (Cziffra)
No Vox Nostra pus uma peça pequenina sincronizada com a partitura. Aqui uma pequena preciosidade que a tecnologia de hoje nos dá com uns clics.
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15 outubro, 2011
Ranking... para que te quero!
"Os rankings criam uma ideia de competitividade na educação e não estou convencido que essa seja necessária. A longo prazo, a colaboração, mais do que a competição, vai gerar melhores
resultados. Aliás, a actual crise financeira revela claramente
resultados. Aliás, a actual crise financeira revela claramente
o que está mal nas nossas decisões económicas, que são
tomadas só tendo em conta a competição. Mas o mais grave nos rankings é que são uma simplificação do que é uma boa escola ou do que é a educação. Portanto, a sua publicação prejudica o debate que as sociedades democráticas precisam fazer sobre os objectivos e os fins da educação. Em última instância são um prejuízo para a democracia em si mesma. Os resultados dos exames são importantes, mas são apenas uma parte da fotografia."
Gert Biesta, hoje no Público, em entrevista a Bárbara Wong
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10 outubro, 2011
Elena Lasida
Para ler! Um pouco de optimismo, por uma economista.
Hoje no Público.
"É preciso pensar a economia como um lugar onde se constrói a vida em conjunto"
Por Paulo Miguel Madeira A economista, residente em França, vê a crise como uma oportunidade de realizar uma mudança de fundo que aumente a articulação entre a esfera financeira e a economia real.Elena Lasida, que cresceu no Uruguai e vive em França, veio a Lisboa fazer a palestra da sessão de abertura da conferência Economia Portuguesa: Uma Economia com Futuro, convocada por um conjunto de investigadores e professores de Economia e outras ciências sociais com o objectivo de contribuir para a renovação do pensamento e do discurso económicos. Defende uma mudança de fundo no sistema económico, com particular incidência na lógica do sistema financeiro, e apresentou as ideias de aliança e de promessa como alternativas às de concorrência, contrato e previsão, actualmente hegemónicas.
Elena Lasida, que cresceu no Uruguai e vive em França, veio a Lisboa fazer a palestra da sessão de abertura da conferência Economia Portuguesa: Uma Economia com Futuro, convocada por um conjunto de investigadores e professores de Economia e outras ciências sociais com o objectivo de contribuir para a renovação do pensamento e do discurso económicos. Defende uma mudança de fundo no sistema económico, com particular incidência na lógica do sistema financeiro, e apresentou as ideias de aliança e de promessa como alternativas às de concorrência, contrato e previsão, actualmente hegemónicas.
Em que sentido deve ser a mudança?
Há um problema de coerência do sistema e a actual crise financeira mostrou uma espécie de desfasamento entre todo o sistema financeiro e a economia real. Uma das coisas que é preciso restabelecer é a articulação entre a esfera financeira e a economia real. Parece absolutamente indispensável uma maior ligação entre o sistema financeiro e o resto da economia. E, igualmente, como pensar a economia, não apenas em termos de produção de riqueza, mas também como um lugar onde se constrói a vida em conjunto, a vida da sociedade.
Qual deveria ser a nova relação entre o sistema financeiro e a economia real?
Devia-se criar uma interdependência maior. O sistema financeiro funciona de maneira completamente independente da economia real. A maior parte das empresas tem accionistas e a empresa, sobretudo, produz para poder remunerar os accionistas - e o que é prioritário não é o investimento na actividade, é a remuneração dos accionistas. Na bolsa, o critério para o sistema financeiro é o aumento dos valores bolsistas, sem qualquer relação com a evolução da economia real. Porque a bolsa funciona de modo completamente autónomo. Na economia real, a racionalidade visa calcular o que tem maior probabilidade de dar um lucro mais elevado. No sistema financeiro não é isso: o que se vai procurar é fazer como os outros, mas antes dos outros. Na bolsa, por exemplo, a especulação baseia-se no facto de que se ganha dinheiro vendendo por um preço mais caro do que se comprou. Para isso, o que é preciso é antever o que os outros vão fazer.
Há um problema de coerência do sistema e a actual crise financeira mostrou uma espécie de desfasamento entre todo o sistema financeiro e a economia real. Uma das coisas que é preciso restabelecer é a articulação entre a esfera financeira e a economia real. Parece absolutamente indispensável uma maior ligação entre o sistema financeiro e o resto da economia. E, igualmente, como pensar a economia, não apenas em termos de produção de riqueza, mas também como um lugar onde se constrói a vida em conjunto, a vida da sociedade.
Qual deveria ser a nova relação entre o sistema financeiro e a economia real?
Devia-se criar uma interdependência maior. O sistema financeiro funciona de maneira completamente independente da economia real. A maior parte das empresas tem accionistas e a empresa, sobretudo, produz para poder remunerar os accionistas - e o que é prioritário não é o investimento na actividade, é a remuneração dos accionistas. Na bolsa, o critério para o sistema financeiro é o aumento dos valores bolsistas, sem qualquer relação com a evolução da economia real. Porque a bolsa funciona de modo completamente autónomo. Na economia real, a racionalidade visa calcular o que tem maior probabilidade de dar um lucro mais elevado. No sistema financeiro não é isso: o que se vai procurar é fazer como os outros, mas antes dos outros. Na bolsa, por exemplo, a especulação baseia-se no facto de que se ganha dinheiro vendendo por um preço mais caro do que se comprou. Para isso, o que é preciso é antever o que os outros vão fazer.
Como se pode fazer com que deixe de ser assim?
É preciso controlar a especulação, é preciso criar maior relação entre o valor das acções e a economia real. É precisa uma maior relação entre o que o capital oferece e o que o trabalho oferece.
Na conferência, centrou-se nos conceitos de desenvolvimento durável e de economia solidária. Também devem ser adoptados no sistema financeiro?
É uma coisa que já existe. Há muitos bancos do sector cooperativo, mas do meu ponto de vista é preciso ir mais longe do que isso. É sobretudo preciso criar muito mais interdependência entre quem poupa e quem pede dinheiro à banca, quem pede crédito. Por exemplo, em vários bancos, hoje, ao depositar dinheiro numa conta de poupança, há a possibilidade de perguntar o que é que o banco vai fazer com esse dinheiro, onde o vai aplicar. E há mesmo a possibilidade de escolher o sector em que se quer que o banco aplique o dinheiro, ou escolher renunciar a parte do juro, para que esse juro possa ser investido em actividades de utilidade social. Isto ainda tem um impacto bastante limitado. Mas, por exemplo, o respeito pelo ambiente e pelos direitos sociais são coisas cada vez mais exigidas no investimento.
Defende que devemos pensar mais em termos de qualidade de vida do que de quantidade de produção. Como entende essa qualidade de vida?
Penso que a qualidade de vida não se põe apenas ao nível do rendimento ou do conforto material que se tem - claro que isso conta -, é também todo o tecido relacional em que se está inscrito. É se temos trabalho, se vivemos num local onde se conhecem as outras pessoas, se estamos integrados na sociedade... Nesse sentido, pode-se falar em relação.
É preciso controlar a especulação, é preciso criar maior relação entre o valor das acções e a economia real. É precisa uma maior relação entre o que o capital oferece e o que o trabalho oferece.
Na conferência, centrou-se nos conceitos de desenvolvimento durável e de economia solidária. Também devem ser adoptados no sistema financeiro?
É uma coisa que já existe. Há muitos bancos do sector cooperativo, mas do meu ponto de vista é preciso ir mais longe do que isso. É sobretudo preciso criar muito mais interdependência entre quem poupa e quem pede dinheiro à banca, quem pede crédito. Por exemplo, em vários bancos, hoje, ao depositar dinheiro numa conta de poupança, há a possibilidade de perguntar o que é que o banco vai fazer com esse dinheiro, onde o vai aplicar. E há mesmo a possibilidade de escolher o sector em que se quer que o banco aplique o dinheiro, ou escolher renunciar a parte do juro, para que esse juro possa ser investido em actividades de utilidade social. Isto ainda tem um impacto bastante limitado. Mas, por exemplo, o respeito pelo ambiente e pelos direitos sociais são coisas cada vez mais exigidas no investimento.
Defende que devemos pensar mais em termos de qualidade de vida do que de quantidade de produção. Como entende essa qualidade de vida?
Penso que a qualidade de vida não se põe apenas ao nível do rendimento ou do conforto material que se tem - claro que isso conta -, é também todo o tecido relacional em que se está inscrito. É se temos trabalho, se vivemos num local onde se conhecem as outras pessoas, se estamos integrados na sociedade... Nesse sentido, pode-se falar em relação.
Acredita que estas ideias podem ser aceites e ganhar força na sociedade? No final de 2008, quando o sistema financeiro ocidental estava à beira da falência, falou-se muito de alternativas para o funcionamento da economia, na regulação da finança e da economia global, mas depois pouco mudou. Parece que as pessoas querem que as coisas continuem como estão.
É verdade. É preciso conseguir mostrar às pessoas que, com um modo de vida em que se partilha mais, em que há mais tempo para estar com os outros, em que a relação tem um lugar mais importante, pode-se viver melhor. É importante que as pessoas experimentem e sintam que um outro modo de vida dá mais felicidade.
Disse que o interesse do comércio justo e do microcrédito é mostrar que é possível a economia funcionar de modo diferente do dominante. Isso pode desencadear uma mudança?
Penso que há uma capacidade transformadora, que estas realidades estão a fazer mudar as coisas. Mas não sei como isso vai acontecer. A mudança não será porque todas as empresas se vão transformar em cooperativas. A mudança é mais por, hoje, as grandes empresas colocarem a questão da democratização da empresa, da ligação empresa-cidadão, da responsabilidade social da empresa.
Defende então a ampliação da economia social e solidária...
Sim, mas não creio que se deva dizer que é um modelo que se deva generalizar. Não acredito nisso, mas acredito que se possa alargar bastante face à sua realidade actual.
É verdade. É preciso conseguir mostrar às pessoas que, com um modo de vida em que se partilha mais, em que há mais tempo para estar com os outros, em que a relação tem um lugar mais importante, pode-se viver melhor. É importante que as pessoas experimentem e sintam que um outro modo de vida dá mais felicidade.
Disse que o interesse do comércio justo e do microcrédito é mostrar que é possível a economia funcionar de modo diferente do dominante. Isso pode desencadear uma mudança?
Penso que há uma capacidade transformadora, que estas realidades estão a fazer mudar as coisas. Mas não sei como isso vai acontecer. A mudança não será porque todas as empresas se vão transformar em cooperativas. A mudança é mais por, hoje, as grandes empresas colocarem a questão da democratização da empresa, da ligação empresa-cidadão, da responsabilidade social da empresa.
Defende então a ampliação da economia social e solidária...
Sim, mas não creio que se deva dizer que é um modelo que se deva generalizar. Não acredito nisso, mas acredito que se possa alargar bastante face à sua realidade actual.
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Economia/Finanças
05 outubro, 2011
O Universo da crise
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04 outubro, 2011
Isaltices
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01 outubro, 2011
Haendel - Dia Mundial da Música
Philippe Jaroussky
"Lascia ch'io pianga"da Ópera "Rinaldo"
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Haendel,
Philippe Jaroussky
25 setembro, 2011
Mozart - Adagio in E, K. 261
Nathan Milstein, 1950 Vladimir Golschmann, RCA Victor Orchestra
Só a música, com os ruídos dos antigos discos de vinil.
Mais uma peça de Mozart através das memórias que tenho do Rainer.
Só a música, com os ruídos dos antigos discos de vinil.
Mais uma peça de Mozart através das memórias que tenho do Rainer.
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Nathan Milstein,
Rainer
24 setembro, 2011
O homem mais rápido sem pernas - Oscar Pistorius
Foi a fotografia que me chamou a atenção, mas a entrevista é muito interessante de ler. Passa uma mensagem bastante importante para aquelas pessoas que se queixam de tudo na vida.
A fotografia online é muito mais impressionante.
No Público online .
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Oscar Pistorius
11 setembro, 2011
11 de Setembro 2011 - a melhor crónica
Não podia deixar passar. Vale a pena ler, do princípio até ao fim, sem saltar partes ou ler na diagonal. No Público de hoje, dedicado em boa parte à data que hoje se comemora.
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11 de Setembro,
Frei Bento Domingues
08 setembro, 2011
Sobre o início do ano escolar...
Hoje no Público a pergunta a algumas pessoas era:
Que medida gostaria de ver adoptada nas escolas pelo novo ministro?
Achei muito pertinente a resposta de Lucília Salgado, Investigadora e docente na Escola Superior de Educação de Coimbra :
"Gostaria que continuasse a fomentar na mesma linha a educação de adultos, porque ela tem um efeito importantíssimo nos filhos. Os adultos que fizeram um processo de educação de adultos têm melhores competências para orientar os filhos na escola e isso pode mudar o nosso sistema educativo, cujo atraso se deveu ao atraso dos adultos que não souberam - não sabiam - orientar os filhos para a escola. Os estudos comprovam, por exemplo, que os adultos que faziam as Novas Oportunidades conseguiam ter uma prática de envolvimento com os filhos que é facilitadora do sucesso escolar".
Que medida gostaria de ver adoptada nas escolas pelo novo ministro?
Achei muito pertinente a resposta de Lucília Salgado, Investigadora e docente na Escola Superior de Educação de Coimbra :
"Gostaria que continuasse a fomentar na mesma linha a educação de adultos, porque ela tem um efeito importantíssimo nos filhos. Os adultos que fizeram um processo de educação de adultos têm melhores competências para orientar os filhos na escola e isso pode mudar o nosso sistema educativo, cujo atraso se deveu ao atraso dos adultos que não souberam - não sabiam - orientar os filhos para a escola. Os estudos comprovam, por exemplo, que os adultos que faziam as Novas Oportunidades conseguiam ter uma prática de envolvimento com os filhos que é facilitadora do sucesso escolar".
É pertinente, porque é um ponto de vista sistematicamente esquecido quando se fala em educação de adultos, em formação ao longo da vida e se argumenta com os custo para o país.
Acho que a ignorância é sempre mais cara do que as Novas Oportunidades.
Temos de quebrar o ciclo da pouca importância da Escola na nossa sociedade.
É isso que tem atrasado o país e mantido no poder uma determinada elite, pouco dada a democracia real e já agora maioritariamente pouco culta!
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06 setembro, 2011
Aniversário do Rainer
Hoje faria 58 anos.
Uma das suas peças preferidas, do seu adorado Mozart.
Uma das suas peças preferidas, do seu adorado Mozart.
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23 agosto, 2011
Acabou o jogo dos dominós
O comentário de Jorge Almeida Fernandes, hoje no Público.
Vale a pena ler!
A queda do regime de Muammar Khadafi é um acontecimento impressionante. Muitos a olham já como o detonador da segunda vaga ou de um segundo alento das revoluções árabes. É fascinante a vários títulos. Marca o fim de seis meses de guerra civil e de quatro de intervenção da NATO. Por outro lado, Khadafi não é um déspota cinzento como o tunisino Ben Ali, com quem tudo começou. O espalhafatoso coronel é uma vedeta, um clown "global", praticamente desde que conquistou o poder há 42 anos. Foi o encenador do seu próprio espectáculo. Por isso, mais impressionante é a queda.
O público maravilhou-se com o "efeito dos dominós" - Tunísia, Egipto, Líbia, Iémen, Bahrein, Síria... O temor do contágio levou alguns governantes - inclusive os sauditas, guardiões da ordem - a ensaiar reformas, umas cosméticas, outras com algum alcance, caso de Marrocos. Os últimos meses foram marcados pela derrota dos manifestantes xiitas do Bahrein, pela repressão na Síria e pela imagem de atolamento das transições nos próprios países exemplares - a Tunísia e o Egipto.
"Muita da visão convencional nas últimas semanas era a de que a Primavera Árabe se estava a transformar num Verão maçador", escreveu ontem o americano Philip Zelikow no Financial Times. "A queda do coronel Khadafi vai renovar o ímpeto." Para já na Síria. Mas provavelmente ressoará por todo o Magrebe e no Golfo Pérsico. Vários analistas árabes esperam que a máquina revolucionária reentre em funcionamento.
O teste sírio
O primeiro teste será logicamente em Damasco. O regime de Bashar al-Assad perdeu a legitimidade. Tem sido objecto de uma política de influências cruzadas entre a Turquia, o Irão e a Arábia Saudita. A capacidade de arbitragem das potências regionais está a esgotar-se. Damasco não escuta os conselhos reformistas turcos, estes são contrariados pelo Irão, que tem meios de pressão sobre Ancara, enquanto a Arábia Saudita espreita o momento de colher os frutos da sua discreta intervenção. A queda de Assad mudaria o xadrez regional. Israel assiste inquieto, já que outra peça do tabuleiro regional se começou a mover em seu desfavor - o novo Egipto. Note-se que a ameaça de outro incêndio em Gaza pode obrigar os actores a refazer todos os cálculos.
O regime sírio resiste, mas desgasta-se inexoravelmente. Explica um diplomata francês, recém-chegado de Damasco, que também a capital se começa a mover, pacientemente, da periferia para o centro. As manifestações mudam a vida das pessoas pelo simples facto de elas "poderem gritar a sua cólera quanto mais não seja por alguns minutos". "Este efémero sentimento de liberdade contribui para destruir o seu maior inimigo - o muro do seu medo pessoal. (...) O regime não poderá aguentar o ritmo actual da repressão e da vigilância." Há fissuras na sua própria base de apoio, a minoria alauíta.
As difíceis transições
A Tunísia e o Egipto têm sido olhados como decepção. "Os países em transição enfrentam imperativos contraditórios", escreve Marina Ottaway, do Carnegie Endowment for International Peace. "Precisam de andar depressa para eleger governos legítimos que possam fazer verdadeiras reformas, mas precisam de tempo para obter consensos sobre princípios", consolidar os partidos e fazer leis eleitorais. Entretanto, "as pessoas estão cansadas de esperar e querem ver mudanças" e dão sinais de que podem voltar às ruas.
"A lição da Tunísia e do Egipto para os países que vão entrar em transição é que é impossível - e até desaconselhável - organizar eleições em poucos meses." Mas um "processo lento" exige um plano de acção e um calendário rigorosos para que os governos não percam a legitimidade, conclui Ottaway.
As instituições exigem tempo. Se milhões de jovens árabes se emanciparam mentalmente em meses, a "Primavera" não se avalia em meses, mas em anos. Trata-se de uma insuportável eternidade para os media, disse alguém.
O principal equívoco é tomar a liberdade como uma espécie de estado natural do homem, o que conduz à ideia peregrina de que, derrubado o tirano, a democracia se derrama sobre os cidadãos. A democracia só existe sobre instituições.
É este o novo problema da Líbia, país sem Estado, sem sociedade civil, sem partidos e sindicatos. As ameaças são o vazio e o caos. Não há forças com legitimidade e capacidade para governar. Por isso a vitória sobre Khadafi foi ironicamente qualificada de "sucesso catastrófico". Recusar o caos é começar por procurar um consenso entre tribos e regiões e um tipo de poder que a generalidade dos cidadãos aceitem. Não há democracia de dominós.
Vale a pena ler!
A queda do regime de Muammar Khadafi é um acontecimento impressionante. Muitos a olham já como o detonador da segunda vaga ou de um segundo alento das revoluções árabes. É fascinante a vários títulos. Marca o fim de seis meses de guerra civil e de quatro de intervenção da NATO. Por outro lado, Khadafi não é um déspota cinzento como o tunisino Ben Ali, com quem tudo começou. O espalhafatoso coronel é uma vedeta, um clown "global", praticamente desde que conquistou o poder há 42 anos. Foi o encenador do seu próprio espectáculo. Por isso, mais impressionante é a queda.
O público maravilhou-se com o "efeito dos dominós" - Tunísia, Egipto, Líbia, Iémen, Bahrein, Síria... O temor do contágio levou alguns governantes - inclusive os sauditas, guardiões da ordem - a ensaiar reformas, umas cosméticas, outras com algum alcance, caso de Marrocos. Os últimos meses foram marcados pela derrota dos manifestantes xiitas do Bahrein, pela repressão na Síria e pela imagem de atolamento das transições nos próprios países exemplares - a Tunísia e o Egipto.
"Muita da visão convencional nas últimas semanas era a de que a Primavera Árabe se estava a transformar num Verão maçador", escreveu ontem o americano Philip Zelikow no Financial Times. "A queda do coronel Khadafi vai renovar o ímpeto." Para já na Síria. Mas provavelmente ressoará por todo o Magrebe e no Golfo Pérsico. Vários analistas árabes esperam que a máquina revolucionária reentre em funcionamento.
O teste sírio
O primeiro teste será logicamente em Damasco. O regime de Bashar al-Assad perdeu a legitimidade. Tem sido objecto de uma política de influências cruzadas entre a Turquia, o Irão e a Arábia Saudita. A capacidade de arbitragem das potências regionais está a esgotar-se. Damasco não escuta os conselhos reformistas turcos, estes são contrariados pelo Irão, que tem meios de pressão sobre Ancara, enquanto a Arábia Saudita espreita o momento de colher os frutos da sua discreta intervenção. A queda de Assad mudaria o xadrez regional. Israel assiste inquieto, já que outra peça do tabuleiro regional se começou a mover em seu desfavor - o novo Egipto. Note-se que a ameaça de outro incêndio em Gaza pode obrigar os actores a refazer todos os cálculos.
O regime sírio resiste, mas desgasta-se inexoravelmente. Explica um diplomata francês, recém-chegado de Damasco, que também a capital se começa a mover, pacientemente, da periferia para o centro. As manifestações mudam a vida das pessoas pelo simples facto de elas "poderem gritar a sua cólera quanto mais não seja por alguns minutos". "Este efémero sentimento de liberdade contribui para destruir o seu maior inimigo - o muro do seu medo pessoal. (...) O regime não poderá aguentar o ritmo actual da repressão e da vigilância." Há fissuras na sua própria base de apoio, a minoria alauíta.
As difíceis transições
A Tunísia e o Egipto têm sido olhados como decepção. "Os países em transição enfrentam imperativos contraditórios", escreve Marina Ottaway, do Carnegie Endowment for International Peace. "Precisam de andar depressa para eleger governos legítimos que possam fazer verdadeiras reformas, mas precisam de tempo para obter consensos sobre princípios", consolidar os partidos e fazer leis eleitorais. Entretanto, "as pessoas estão cansadas de esperar e querem ver mudanças" e dão sinais de que podem voltar às ruas.
"A lição da Tunísia e do Egipto para os países que vão entrar em transição é que é impossível - e até desaconselhável - organizar eleições em poucos meses." Mas um "processo lento" exige um plano de acção e um calendário rigorosos para que os governos não percam a legitimidade, conclui Ottaway.
As instituições exigem tempo. Se milhões de jovens árabes se emanciparam mentalmente em meses, a "Primavera" não se avalia em meses, mas em anos. Trata-se de uma insuportável eternidade para os media, disse alguém.
O principal equívoco é tomar a liberdade como uma espécie de estado natural do homem, o que conduz à ideia peregrina de que, derrubado o tirano, a democracia se derrama sobre os cidadãos. A democracia só existe sobre instituições.
É este o novo problema da Líbia, país sem Estado, sem sociedade civil, sem partidos e sindicatos. As ameaças são o vazio e o caos. Não há forças com legitimidade e capacidade para governar. Por isso a vitória sobre Khadafi foi ironicamente qualificada de "sucesso catastrófico". Recusar o caos é começar por procurar um consenso entre tribos e regiões e um tipo de poder que a generalidade dos cidadãos aceitem. Não há democracia de dominós.
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Jorge Almeida Fernandes,
Líbia
16 agosto, 2011
Song Without Words Op.102 no.1 in E Minor
Mais Mendelssohn, tocado por Barenboim. Mais Canções sem palavras.
Lied ohne Worte, em alemão, de um compositor que também nasceu em Hamburgo.
Lied ohne Worte, em alemão, de um compositor que também nasceu em Hamburgo.
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Hamburgo,
Palavras para quê? Mendelssohn. Barenboim
14 agosto, 2011
"Ou as coisas mudam, ou muito ainda está para vir"
A última parte de uma entrevista a dois jovens ingleses, socialmente interventivos. Muito novos mas que sabem o que dizem.
Vale a pena ler hoje no Público esta entrevista e todo o artigo sobre os motins em Inglaterra.
O que é que Cameron devia fazer?
Amena Amer: Abrir os olhos. E perceber de onde vêm estas pessoas, a discriminação que sentem na polícia e no Estado há anos e a falta de oportunidades por serem de determinada minoria. Se só tentarmos restaurar a ordem sem abordar isto, ficamos sem capacidade para prever o quão pior será da próxima vez.
Symeon Brown: Mais segurança nas ruas é importante. Mas a seguir é preciso perceber a criminalidade juvenil. É preciso falar de cidadania e de identidade e por que há algumas pessoas que se identificam com a comunidade e outras não. Há esta ideia de que estão a incendiar as sua próprias comunidades, mas será que as sentem como suas? Porque é que achamos isso, quando tivemos Thatcher a dizer que não há sociedade, apenas indivíduos e as suas família? Claramente há muito a fazer, mas não acredito que exista vontade para fazer esse debate.
Vale a pena ler hoje no Público esta entrevista e todo o artigo sobre os motins em Inglaterra.
O que é que Cameron devia fazer?
Amena Amer: Abrir os olhos. E perceber de onde vêm estas pessoas, a discriminação que sentem na polícia e no Estado há anos e a falta de oportunidades por serem de determinada minoria. Se só tentarmos restaurar a ordem sem abordar isto, ficamos sem capacidade para prever o quão pior será da próxima vez.
Symeon Brown: Mais segurança nas ruas é importante. Mas a seguir é preciso perceber a criminalidade juvenil. É preciso falar de cidadania e de identidade e por que há algumas pessoas que se identificam com a comunidade e outras não. Há esta ideia de que estão a incendiar as sua próprias comunidades, mas será que as sentem como suas? Porque é que achamos isso, quando tivemos Thatcher a dizer que não há sociedade, apenas indivíduos e as suas família? Claramente há muito a fazer, mas não acredito que exista vontade para fazer esse debate.
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Política?
10 agosto, 2011
Album Blatt Opus 117 by Felix Mendelssohn
Mais uma Canção sem palavras. Em mi menor.
Albumblatt Opus 117 by Felix Mendelssohn, performed by an amateur pianist in Kibbutz Mishmar HaEmeq, Israel, for the celebration of Mendelssohn's 200 anniversary. February 2009.
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07 agosto, 2011
Songs Without Words Op.85 no.4 in D Major
Barenboim plays Mendelssohn
Palavras para quê?
Palavras para quê?
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03 agosto, 2011
Obrigadinho por nada
Na crónica de hoje, no Público, Rui Tavares no seu melhor!
E é que não há maneira de verem!
"Este acordo não é bom para os EUA, que arriscarão trocar uma recuperação fraquinha por um regresso à recessão, e não é bom para o resto do mundo, cada vez mais rendido à ilógica da austeridade expansionária. Quando toda a gente cortar custos para ficar mais competitivo, que vamos fazer com a competitividade ganha? Exportar para Saturno?"
E é que não há maneira de verem!
"Este acordo não é bom para os EUA, que arriscarão trocar uma recuperação fraquinha por um regresso à recessão, e não é bom para o resto do mundo, cada vez mais rendido à ilógica da austeridade expansionária. Quando toda a gente cortar custos para ficar mais competitivo, que vamos fazer com a competitividade ganha? Exportar para Saturno?"
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Rui Tavares
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