21 novembro, 2011

TIC - a propósito do programa curricular.

“Há que mudar um programa completamente desajustado da realidade” - no Educare.pt


António Ramos, presidente da ANPRI, refere que a matéria das TIC deve assentar em programas flexíveis e ser lecionada por professores com formação adequada. "E não servir para completar horários de forma indiscriminada".
As mudanças que a Associação Nacional de Professores de Informática (ANPRI) defende são conhecidas. A disciplina de Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) deve sair do 9.º ano e constar nos currículos do 5.º e 7.º anos, ou seja, no início do 2.º e 3.º ciclos. António Ramos, presidente da ANPRI, refere que a matéria das TIC deve assentar em programas flexíveis e ser lecionada por professores com formação adequada. "E não servir para completar horários de forma indiscriminada", sublinha.
Mudar a disciplina para o 6.º ano, como o ministro da Educação já aflorou, é um erro para a ANPRI, que colocou as suas reservas aquando da elaboração do atual programa. "Defendemos uma visão de processo e/ou de projeto em detrimento de uma visão tecnicista e totalmente virada para as aplicações" - sustenta o responsável, professor na Secundária de D. Dinis, em Marvila, Lisboa, e doutorando em Educação no Instituto de Educação da Universidade de Lisboa.

António Ramos, sócio-fundador da ANPRI, chama a atenção para algumas situações. "São agora visíveis as consequências do desaparecimento das TIC no 10.º ano dos cursos científico-humanísticos, com os alunos a chegarem ao 12.º ano sem conseguirem fazer um gráfico numa folha de cálculo ou sem saberem integrar informação de uma aplicação num documento estruturado". E, na sua opinião, desinvestir na educação é "hipotecar o futuro da nação".  


EDUCARE.PT: O ministro da Educação admite a possibilidade de retirar a disciplina TIC do 9.º ano. A medida parece gerar consenso, mas a ANPRI não gostou da afirmação de que os alunos do 9.º ano já sabem mexer num computador. O que se passa?
António Ramos:
Em primeiro lugar, quero dizer que a ANPRI defende, desde há vários anos, que a disciplina de TIC não deveria estar no 9.º ano de escolaridade. Sempre defendemos que uma disciplina de carácter introdutório às tecnologias da informação e da comunicação deveria ter presença no início dos ciclos e não no seu final. E, nesse sentido, estamos de acordo com uma eventual alteração do posicionamento da disciplina no currículo.

Mas a afirmação proferida pelo senhor ministro da Educação ao jornal Público, afirmando que "a maioria dos jovens já domina os computadores perfeitamente e é questionável que seja necessário ter uma disciplina de TIC", é reveladora que foi, seguramente, mal informado pelos seus assessores. A grande maioria dos alunos neste nível de escolaridade sabe, de facto, trabalhar com um computador. Mas "dominar" significa que o aluno deveria saber trabalhar de um modo eficaz e eficiente, pesquisando e selecionando informação, produzindo documentos estruturados. Uma grande maioria destes alunos sabe utilizar, de facto, um motor de busca, mas as suas pesquisas são muitas vezes mal direcionadas. Depois há problemas na seleção de fontes fidedignas, servindo para a maioria dos estudantes a primeira fonte que obtêm numa pesquisa. De seguida, o tratamento da informação passa muitas vezes por um processo de cópia, pura e simples, sem qualquer trabalho por parte do aluno. E há ainda problemas mais graves, nomeadamente no campo da segurança. A maioria destes alunos tem conta aberta no Facebook, colocando online informação pessoal e fotografias de modo indiscriminado e sem qualquer sentido de responsabilidade. O Facebook tem servido também como elemento de cyberbullying, situação que se tem agravado.

Por isso, dizer-se que "é questionável que seja necessário ter uma disciplina de TIC" é uma afirmação perigosa, suportada por falsas premissas. Há, isso sim, que mudar um programa completamente desajustado da realidade, apoiado por manuais escolares que dão preferência à componente técnica da disciplina. Há, isso sim, que pensar que uma disciplina como esta deve estar no início de cada ciclo, preparando os alunos para a utilização das TIC nesse ciclo.

E: Nuno Crato abriu a porta à possibilidade de as TIC passarem a ser lecionadas no 2.º ciclo, mais concretamente no 6.º ano. É razoável que assim seja, uma vez que a ANPRI defende as TIC no 5.º e no 7.º anos, ou seja, no início do 2.º e 3.º ciclos?
AR:
Colocar a disciplina no 6.º ano é, na nossa opinião, um erro. A ANPRI defende a necessidade de uma disciplina deste tipo no início de cada ciclo. Falamos, concretamente, do 5.º e do 7.º anos. A ideia de uma disciplina deste tipo é dotar o aluno das competências necessárias a cada ciclo. Isso só se consegue com o posicionamento da disciplina no início do ciclo, não no final. E há claramente necessidades diferentes no início do 2.º ou do 3.º ciclos.

Mas falamos também no 10.º ano, onde a retirada desta disciplina dos cursos científico-humanísticos deixou estes alunos com um défice de formação nesta área no que respeita aos seus colegas dos cursos tecnológicos - entretanto praticamente extintos pelo Ministério da Educação - e dos cursos profissionais. As consequências da remoção das TIC do 10.º ano começam agora a sentir-se. E provam que foi um erro.

E: As alterações que a disciplina possa vir a sofrer serão justificáveis? Em que medida?
AR:
A ANPRI tem defendido a desadequação do programa atual de TIC. A existência de uma disciplina deste tipo deve assentar em quatro eixos: informação, produção, comunicação e segurança. Deverá assentar numa filosofia de formação gradual, com os conceitos a serem introduzidos em graus cada vez mais aprofundados conforme a idade do aluno. Deverá privilegiar os processos, assente numa filosofia de projeto, em detrimento da atual filosofia tecnicista. Deverá assentar em programas flexíveis. Deverá estar livre do espartilho de manuais escolares adotados por seis anos. Deverá ser lecionada por professores com formação adequada e não servir para completar horários de forma indiscriminada.

E: Compreende por que razões as TIC estão agora no centro das atenções, a par com EVT? Considera que há aqui uma razão economicista?
AR:
Claro que há razões economicistas. O atual momento económico não nos passa ao lado. Sabemos que tem que haver cortes em todos os setores. Mas a educação tem certamente muito por onde cortar, em vez de se eliminar disciplinas e reduzir a qualidade do ensino. E há, certamente, outras razões. Compreendemos que o senhor ministro considere o programa desajustado. Mas essa tem sido a opinião da ANPRI há muitos anos. Já exprimimos as nossas reservas aquando da elaboração do atual programa de TIC. Defendemos uma visão de processo e/ou de projeto em detrimento de uma visão tecnicista e totalmente virada para as aplicações.


E: O que seria melhor para os alunos?
AR: São agora visíveis as consequências do desaparecimento das TIC no 10.º ano dos cursos científico-humanísticos, com os alunos a chegarem ao 12.º ano sem conseguirem fazer um gráfico numa folha de cálculo ou sem saberem integrar informação de uma aplicação num documento estruturado.

O nosso país tem sido apontado como modelo a seguir no que respeita ao investimento que foi feito nas novas tecnologias. Quando todos olham para nós com admiração, nós enterramos a cabeça no chão e começamos a regredir neste setor.



E: Tem chamado a atenção para a questão da segurança na utilização das novas tecnologias, nomeadamente na Internet. O que deve ser feito para alertar os alunos para esses perigos e em que momentos deve ser feito?
AR:
Deve-se incluir as questões da segurança no próprio currículo da disciplina. Atualmente estas questões são abordadas em ações patrocinadas pelos fundos europeus, cuja importância e qualidade reconhecemos, mas que dependem da vontade de colaboração de alunos e professores. A importância deste problema é demasiado grande para que isso se possa deixar a critérios de disponibilidade e vontade. A sua abordagem deve ser, por isso, obrigatória, a todos os níveis.

E: A introdução do Magalhães no 1.º ciclo foi uma boa medida? Que balanço faz? Os alunos saíram a ganhar?
AR:
A filosofia é muito interessante e há muitos exemplos de boas práticas conseguidas com estes equipamentos. Pensamos que, de um modo geral, o balanço foi positivo e os alunos saíram a ganhar. Mas o programa teve também muitos contratempos.

O maior dos problemas assenta no facto de a introdução do Magalhães no 1.º ciclo ter sido acompanhada por uma intensa falta de formação de qualidade destinada aos docentes deste ciclo, que não são, nem de longe, especialistas no trabalho com sistemas informáticos. Muitas das ações de formação previstas acabaram por ser cortadas por falta de fundos e a pouca formação de qualidade, que ainda se alcançou, deveu-se mais à carolice de muitos dos formadores e centros do que a um plano estruturado de formação que era indispensável.


E: Que preocupações colocará em cima da mesa quando reunir com o ministro da Educação?
AR:
De um modo genérico, as nossas preocupações passam pela qualidade do ensino e pela participação ativa da ANPRI na definição das estratégias para esta área e, principalmente, no desenho curricular do Ensino Básico e Secundário e na elaboração dos conteúdos programáticos da(s) disciplina(s). Defendemos também todas as medidas que permitam o cumprimento das metas definidas em vários documentos elaborados ou assinados pelo governo português, desde as metas de aprendizagem, ao quadro estratégico da União Europeia para 2020 e as metas educativas da Organização dos Estados Ibero-Americanos para 2021.
E preocupa-nos também o futuro do ensino da informática do nosso país. Este ano, temos assistido a violações sucessivas da lei, no que respeita à contratação em oferta de escola de professores de informática, atribuindo-se horários deste grupo a docentes sem a mínima qualificação para o exercício da função e em total atropelo da legislação em vigor.

E: Como olha para o futuro do setor educativo?AR: Com muita preocupação. Com menos professores, com menos investimento e com menos preocupação na melhoria dos currículos e das aprendizagens, a qualidade do ensino só pode decair a níveis de há muitos anos atrás. A educação não é um setor que possa sofrer cortes indiscriminados sem se baixar, inevitavelmente, a sua qualidade. A educação é, porventura, o setor mais importante deste país e desinvestir nele é hipotecar o futuro da nação.

E: Na sua opinião, o que aconteceu ao Plano Tecnológico da Educação?
AR:
Embora a filosofia do plano seja excelente, o que é verdade é que assentou numa visão porventura um pouco megalómana. Investiu-se indiscriminadamente sem se acautelar o futuro. Agora as escolas começam a encontrar os primeiros problemas. A questão do licenciamento dos softwares da Microsoft que acompanhou todos estes computadores é o primeiro sinal de que algo está errado. Outro é a largura de banda disponibilizada às escolas, muito abaixo da largura de banda publicitada. Ao que se diz, resultado de uma má negociação, mas penso que nunca se saberá a verdadeira razão do problema.

O plano falhou no financiamento de uma série de itens fundamentais, dos quais o mais importante será, certamente, a formação e certificação dos professores. Mas não é o único. O programa e-escolas parou, o e-escolinha (Magalhães) também. Muitas das escolas secundárias que não chegaram a ser intervencionadas pela Parque Escolar ficaram sem o equipamento. A videovigilância está por completar. O programa de certificação de competências para os docentes ficou pelo primeiro de três níveis, mas a formação parou.


E: Teme que as restrições impostas no Orçamento do Estado para a Educação mexam com áreas estruturantes do sistema educativo?
AR:
Não temo, tenho a certeza. Elas já aí estão. A suspensão do programa de reestruturação do parque escolar. A suspensão completa do plano tecnológico, aliada à eliminação do crédito horário para as equipas PTE. A criação de um Centro de Apoio TIC às Escolas (CATE) que se suspeita ser um elefante branco que só vem dificultar o funcionamento das escolas, criando um passo intermédio e um atraso na resolução de problemas técnicos nas escolas. O anúncio do desaparecimento de disciplinas ou da fusão de outras. Tudo isso são já certezas de que as restrições impostas no Orçamento do Estado têm repercussões graves em áreas estruturantes do sistema educativo.

20 novembro, 2011

Algumas perguntas sobre bancos

Algumas das minhas perplexidades também! Tenho procurado resposta para muitas destas questões. Neste caso gostava mesmo que alguém comentasse, no sentido construtivo de entender o que se passa. Este artigo foi publicado no sábado 19/11/2011 no Público.  

19 novembro, 2011

Gerald Celente: Acabemos com esta farsa de demoracia

Fui buscar ao Rogério, aqui ao lado.
Parece que já não está actualizado, mas só parece! Há por aí muita gente distraída. É só para chamar um pouco à atenção!



05 novembro, 2011

TRIBUTE TO MILES - JAZZ A VIENNE 2011

Estive a ver este Concerto no Mezzo. Este vídeo não tem a qualidade do que eu vi, mas é uma amostra muito boa. Com grandes músicos, claro!
Herbie Hancock, Wayne Shorter, Marcus Miller, Sean Jones, Sean Rickman

04 novembro, 2011

Voto em Branco - de grande utilidade!

"Era o único candidato no boletim de voto e perdeu!"

Uma notícia diferente, que dá alguma esperança à democracia representativa, que é ainda o melhor sistema político conhecido. No Público online de hoje.

23 outubro, 2011

VENCIMENTOS QUE NAO MERECEM CORTES...


A informação vale o que vale. Chegou-me por email, não sei quem recolheu a informação, se está exacta ou não. Mas como sei que nestes casos a informação tem de ser pública, suponho que esteja certa. Porque é que há pessoas que acham que ganhar estes montantes é legítimo, não consigo entender! É no mínimo imoral. Se é legal, é necessário mudar a lei.








22 outubro, 2011

Liszt - Valse Impromptu (Cziffra)

 No Vox Nostra pus uma peça pequenina sincronizada com a partitura. Aqui uma pequena preciosidade que a tecnologia de hoje nos dá com uns clics.

15 outubro, 2011

Ranking... para que te quero!

      
"Os rankings criam uma ideia de competitividade na educação e não estou convencido que essa seja necessária. A longo prazo, a colaboração, mais do que a competição, vai gerar melhores
resultados. Aliás, a actual crise financeira revela claramente 
o que  está mal nas nossas decisões económicas, que são
tomadas só tendo em conta a competição. Mas o mais grave nos rankings é que são uma simplificação do que é uma boa escola ou do que é a educação. Portanto, a sua publicação prejudica o debate que as sociedades democráticas precisam fazer sobre os objectivos e os fins da educação. Em última instância são um prejuízo para a democracia em si mesma. Os resultados dos exames são importantes, mas são apenas uma parte da fotografia."

Gert Biesta, hoje no Público, em entrevista a Bárbara Wong

10 outubro, 2011

Elena Lasida



Para ler! Um pouco de optimismo, por uma economista.
Hoje no Público.

"É preciso pensar a economia como um lugar onde se constrói a vida em conjunto"

Por Paulo Miguel Madeira A economista, residente em França, vê a crise como uma oportunidade de realizar uma mudança de fundo que aumente a articulação entre a esfera financeira e a economia real.

Elena Lasida, que cresceu no Uruguai e vive em França, veio a Lisboa fazer a palestra da sessão de abertura da conferência Economia Portuguesa: Uma Economia com Futuro, convocada por um conjunto de investigadores e professores de Economia e outras ciências sociais com o objectivo de contribuir para a renovação do pensamento e do discurso económicos. Defende uma mudança de fundo no sistema económico, com particular incidência na lógica do sistema financeiro, e apresentou as ideias de aliança e de promessa como alternativas às de concorrência, contrato e previsão, actualmente hegemónicas.  
Elena Lasida, que cresceu no Uruguai e vive em França, veio a Lisboa fazer a palestra da sessão de abertura da conferência Economia Portuguesa: Uma Economia com Futuro, convocada por um conjunto de investigadores e professores de Economia e outras ciências sociais com o objectivo de contribuir para a renovação do pensamento e do discurso económicos. Defende uma mudança de fundo no sistema económico, com particular incidência na lógica do sistema financeiro, e apresentou as ideias de aliança e de promessa como alternativas às de concorrência, contrato e previsão, actualmente hegemónicas. 

Em que sentido deve ser a mudança?
Há um problema de coerência do sistema e a actual crise financeira mostrou uma espécie de desfasamento entre todo o sistema financeiro e a economia real. Uma das coisas que é preciso restabelecer é a articulação entre a esfera financeira e a economia real. Parece absolutamente indispensável uma maior ligação entre o sistema financeiro e o resto da economia. E, igualmente, como pensar a economia, não apenas em termos de produção de riqueza, mas também como um lugar onde se constrói a vida em conjunto, a vida da sociedade.

Qual deveria ser a nova relação entre o sistema financeiro e a economia real?
Devia-se criar uma interdependência maior. O sistema financeiro funciona de maneira completamente independente da economia real. A maior parte das empresas tem accionistas e a empresa, sobretudo, produz para poder remunerar os accionistas - e o que é prioritário não é o investimento na actividade, é a remuneração dos accionistas. Na bolsa, o critério para o sistema financeiro é o aumento dos valores bolsistas, sem qualquer relação com a evolução da economia real. Porque a bolsa funciona de modo completamente autónomo. Na economia real, a racionalidade visa calcular o que tem maior probabilidade de dar um lucro mais elevado. No sistema financeiro não é isso: o que se vai procurar é fazer como os outros, mas antes dos outros. Na bolsa, por exemplo, a especulação baseia-se no facto de que se ganha dinheiro vendendo por um preço mais caro do que se comprou. Para isso, o que é preciso é antever o que os outros vão fazer. 
Como se pode fazer com que deixe de ser assim?
É preciso controlar a especulação, é preciso criar maior relação entre o valor das acções e a economia real. É precisa uma maior relação entre o que o capital oferece e o que o trabalho oferece.

Na conferência, centrou-se nos conceitos de desenvolvimento durável e de economia solidária. Também devem ser adoptados no sistema financeiro?
É uma coisa que já existe. Há muitos bancos do sector cooperativo, mas do meu ponto de vista é preciso ir mais longe do que isso. É sobretudo preciso criar muito mais interdependência entre quem poupa e quem pede dinheiro à banca, quem pede crédito. Por exemplo, em vários bancos, hoje, ao depositar dinheiro numa conta de poupança, há a possibilidade de perguntar o que é que o banco vai fazer com esse dinheiro, onde o vai aplicar. E há mesmo a possibilidade de escolher o sector em que se quer que o banco aplique o dinheiro, ou escolher renunciar a parte do juro, para que esse juro possa ser investido em actividades de utilidade social. Isto ainda tem um impacto bastante limitado. Mas, por exemplo, o respeito pelo ambiente e pelos direitos sociais são coisas cada vez mais exigidas no investimento.

Defende que devemos pensar mais em termos de qualidade de vida do que de quantidade de produção. Como entende essa qualidade de vida?
Penso que a qualidade de vida não se põe apenas ao nível do rendimento ou do conforto material que se tem - claro que isso conta -, é também todo o tecido relacional em que se está inscrito. É se temos trabalho, se vivemos num local onde se conhecem as outras pessoas, se estamos integrados na sociedade... Nesse sentido, pode-se falar em relação.
Acredita que estas ideias podem ser aceites e ganhar força na sociedade? No final de 2008, quando o sistema financeiro ocidental estava à beira da falência, falou-se muito de alternativas para o funcionamento da economia, na regulação da finança e da economia global, mas depois pouco mudou. Parece que as pessoas querem que as coisas continuem como estão.
É verdade. É preciso conseguir mostrar às pessoas que, com um modo de vida em que se partilha mais, em que há mais tempo para estar com os outros, em que a relação tem um lugar mais importante, pode-se viver melhor. É importante que as pessoas experimentem e sintam que um outro modo de vida dá mais felicidade.

Disse que o interesse do comércio justo e do microcrédito é mostrar que é possível a economia funcionar de modo diferente do dominante. Isso pode desencadear uma mudança?
Penso que há uma capacidade transformadora, que estas realidades estão a fazer mudar as coisas. Mas não sei como isso vai acontecer. A mudança não será porque todas as empresas se vão transformar em cooperativas. A mudança é mais por, hoje, as grandes empresas colocarem a questão da democratização da empresa, da ligação empresa-cidadão, da responsabilidade social da empresa.

Defende então a ampliação da economia social e solidária...
Sim, mas não creio que se deva dizer que é um modelo que se deva generalizar. Não acredito nisso, mas acredito que se possa alargar bastante face à sua realidade actual.
    

25 setembro, 2011

Mozart - Adagio in E, K. 261

 Nathan Milstein, 1950 Vladimir Golschmann, RCA Victor Orchestra



Só a música, com os ruídos dos antigos discos de vinil.
Mais uma peça de Mozart através das memórias que tenho do Rainer.

24 setembro, 2011

O homem mais rápido sem pernas - Oscar Pistorius



Foi a fotografia que me chamou a atenção, mas a entrevista é muito interessante de ler. Passa uma mensagem bastante importante para aquelas pessoas que se queixam de tudo na vida.
A fotografia online é muito mais impressionante.

No Público online  .

11 setembro, 2011

11 de Setembro 2011 - a melhor crónica



Não podia deixar passar. Vale a pena ler, do princípio até ao fim, sem saltar partes ou ler na diagonal. No Público de hoje, dedicado em boa parte à data que hoje se comemora.



08 setembro, 2011

Sobre o início do ano escolar...

Hoje no Público a pergunta a algumas pessoas era:

Que medida gostaria de ver adoptada nas escolas pelo novo ministro?

Achei muito pertinente a resposta de Lucília Salgado, Investigadora e docente na Escola Superior de Educação de Coimbra :

"Gostaria que continuasse a fomentar na mesma linha a educação de adultos, porque ela tem um efeito importantíssimo nos filhos. Os adultos que fizeram um processo de educação de adultos têm melhores competências para orientar os filhos na escola e isso pode mudar o nosso sistema educativo, cujo atraso se deveu ao atraso dos adultos que não souberam - não sabiam - orientar os filhos para a escola. Os estudos comprovam, por exemplo, que os adultos que faziam as Novas Oportunidades conseguiam ter uma prática de envolvimento com os filhos que é facilitadora do sucesso escolar".

É pertinente, porque é um ponto de vista sistematicamente esquecido quando se fala em educação de adultos, em formação ao longo da vida e se argumenta com os custo para o país.
Acho que a ignorância é sempre mais cara do que as Novas Oportunidades.
Temos de quebrar o ciclo da pouca importância da Escola na nossa sociedade.
É isso que tem atrasado o país e mantido no poder uma determinada elite, pouco dada a democracia real e já agora maioritariamente pouco culta!

06 setembro, 2011